PF aponta novas suspeitas de ocultação e STF mantém Vorcaro preso
Relatório da investigação cita movimentações financeiras consideradas incompatíveis e reforça que grupo ligado ao ex-banqueiro continua atuando na gestão de ativos sob apuração
Novos elementos reunidos pela Polícia Federal (PF) levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a manter a prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na decisão, tornada pública nesta sexta-feira, 26, o ministro concluiu que a investigação ainda demanda a permanência da custódia diante de indícios recentes de movimentações patrimoniais que podem ter sido realizadas para dificultar o rastreamento de bens ligados ao investigado.
O pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa foi rejeitado após a PF informar ao Supremo que identificou fatos novos durante o avanço das apurações. Segundo o relatório, as movimentações analisadas apresentam características compatíveis com estratégias de blindagem, ocultação ou deslocamento de patrimônio, circunstância considerada relevante para preservar a investigação em andamento.
Ao fundamentar a decisão, André Mendonça destacou que a manutenção da prisão atende aos interesses da própria investigação, diante da possibilidade de interferência sobre ativos e operações ainda sob análise.
O documento da PF também reforça a existência de um núcleo de apoio que continuaria atuando em favor de Vorcaro. Conforme os investigadores, esse grupo exerce papel relevante na administração de interesses patrimoniais vinculados ao conglomerado econômico investigado.
Entre os nomes citados está Henrique Vorcaro, pai de Daniel, que também teve negado pelo STF o pedido para revogar sua prisão preventiva. De acordo com a investigação, ele seria responsável por coordenar operações financeiras e autorizar pagamentos relacionados ao grupo conhecido como “A Turma”, apontado pela PF como um núcleo voltado à intimidação de adversários, ao monitoramento ilegal de jornalistas e autoridades e à suposta obstrução das investigações.
Daniel Vorcaro permaneceu preso desde março na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ocupava cela especial durante as negociações para um acordo de colaboração premiada. Com a rejeição das propostas de delação, perdeu esse benefício e foi transferido para a ala de prisão especial do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”.
Na mesma decisão, André Mendonça determinou que a direção da unidade adote medidas para impedir qualquer contato de Vorcaro com outros investigados da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A avaliação da PF é que o novo local oferece condições mais adequadas de segurança e reduz o risco de comunicação entre integrantes do grupo investigado.
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