Crusoé: A bancada do 8 de janeiro
Excessos de Alexandre de Moraes estimulam candidaturas com a promessa de combater o STF. E mais: Palanques gigantes em aberto e Militância eleitoreira
Relator dos processos que levaram à condenação de centenas de pessoas pelos atos de depredação de 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes fez questão de frisar em suas decisões o caráter pedagógico das punições.
Cada uma dessas sentenças de Moraes foi expedida como um recado de que o Supremo não iria tolerar novos atos de vandalismo, que os ministros do STF classificaram como uma tentativa de golpe de Estado e culminaram na condenação da cúpula do governo de Jair Bolsonaro.
O tempo passou, e a democracia brasileira não morreu. Muito pelo contrário. Ela não apenas está viva como, agora, gesta no Congresso Nacional uma bancada surgida a partir da luta daquelas centenas de pessoas que invadiram os palácios de Brasília num domingo à tarde.
Caso obtenha sucesso nas urnas, essa bancada do 8 de janeiro será formada por ex-condenados, parentes de condenados e até advogados de réus, de partidos como PL, Podemos e Novo.
A principal promessa é combater os abusos do STF. E a expectativa é de que essa bandeira será suficiente para eleger até cinco deputados federais e outros cinco parlamentares estaduais, diz Wilson Lima em “A bancada do 8 de janeiro”, matéria de capa da nova edição de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na reportagem “Palanques gigantes em aberto”, Guilherme Resck mostra que PT e PL ainda têm pendências a resolver na definição dos palanques estaduais de Lula e Flávio Bolsonaro, respectivamente, em colégios eleitorais que estão entre os maiores do país, como Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Em “Militância eleitoreira”, Wal Lima diz que, apesar de estar em decadência, o identitarismo woke ainda tem lugar nas eleições legislativas, e passou a mirar até o PSOL de Erika Hilton.
Na matéria “Tsunami continental de direita”, João Pedro Farah conta que as vitórias de Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais na Colômbia e de Keiko Fujimori, no Peru, confirmaram uma expressiva guinada da direita em praticamente toda a América Latina.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem Gustavo Nogy (Um filme pequeno sobre sentimentos grandes), Josias Teófilo (Manual da fotografia de rua), Wilson Pedroso (Quando o dinheiro senta à mesa, a polarização levanta), Roberto Reis (O primeiro eleitorado pós-Lula), Maristela Basso (Até onde se pode ir sem ser parado?), Márcio Coimbra (O contra-ataque da Colômbia), Clarita Maia (Marc Bloch no Panteão Francês), Letícia Barros (Meninas sacrificadas no altar da cautela ideológica), Dennis Xavier (A União Soviética do Brasil) e Rodolfo Borges (Pelé se impõe como clássico).
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