Memorial homenageia testemunhas de Jeová vítimas do nazismo
Estrutura no parque Tiergarten, em Berlim, presta homenagem aos religiosos perseguidos, 81 anos depois do fim da guerra
Uma escultura de bronze em homenagem às testemunhas de Jeová mortas e perseguidas durante o regime nazista foi aberta ao público nesta quarta-feira, 24, no parque Tiergarten, em Berlim, Alemanha.
A peça, assinada pelo artista Matthias Leeck, tem cinco metros de altura e remete a uma árvore que se mantém de pé apesar dos galhos cortados. O ato de inauguração contou com a presença da presidente do Bundestag, Julia Klöckner, e do comissário de cultura da Alemanha, Wolfram Weimer.
Perseguição religiosa sob Hitler
Entre 1933 e 1945, integrantes das testemunhas de Jeová, movimento cristão originado nos Estados Unidos no século 19, foram alvo de repressão sistemática na Alemanha e em outros pontos da Europa.
De acordo com a fundação federal responsável pelo memorial, cerca de 14 mil fiéis chegaram a ser detidos, sendo 4.200 enviados a campos de concentração, onde recebiam a marca de um triângulo roxo. Ao menos 1.750 morreram nesse período.
A entidade religiosa havia sido proibida pelo governo de Hitler. Por esse motivo, os cultos passaram a ser realizados de forma clandestina.
Segundo a fundação, os fiéis se opunham ao regime ao negarem a saudação nazista, recusarem o alistamento militar, evitarem vínculos com órgãos estatais e prestarem auxílio a outras pessoas perseguidas pelo Estado.
Local marcado por prisão em 1936
O monumento foi posicionado próximo a um lago do Tiergarten, ponto em que um grupo de fiéis costumava se encontrar secretamente para repassar informações. Foi ali que a polícia política do regime, a Gestapo, deteve vários integrantes da comunidade em 22 de agosto de 1936. Dezessete dessas pessoas vieram a morrer depois, em razão dos maus-tratos sofridos durante a detenção.
Durante a cerimônia, Weimer fez referência direta ao episódio: “A Gestapo realizou sua batida exatamente aqui, onde 17 pessoas corajosas posteriormente perderam a vida”.
Já Klöckner relacionou o tempo decorrido até a construção do memorial à desconfiança que comunidades religiosas, incluindo as testemunhas de Jeová, continuaram a enfrentar mesmo após o fim do nazismo. A obra atende a uma legislação aprovada pelo parlamento alemão em 2023.
A fundação que administra o novo memorial também é responsável pelo monumento dedicado às vítimas do Holocausto na capital alemã, situado nas proximidades do Portão de Brandemburgo. Atualmente, as testemunhas de Jeová contam com 180 mil seguidores na Alemanha, número que era de 25 mil na década de 1930.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)