Prévia da inflação vem mais fraca que o esperado
O IPCA-15 de hoje trouxe um alívio pontual ao vir abaixo do esperado, mas não muda o quadro de desafios persistentes
O IPCA-15, que mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços entre meados de maio e meados de junho, subiu 0,41% em junho.
O número ficou abaixo da previsão dos economistas, que esperavam algo em torno de 0,44% a 0,46%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,81%, também melhor do que as estimativas.
Comparado ao mês anterior, quando o índice havia avançado 0,62%, o resultado mostra uma clara desaceleração. O que mais chamou a atenção foi a melhora na composição do índice. Itens mais persistentes, como os núcleos de inflação e os serviços subjacentes, perderam força.
Os transportes, por exemplo, recuaram 0,03%, ajudando a aliviar a pressão geral, enquanto a alta dos alimentos perdeu intensidade, mas a habitação respondeu por uma das principais pressões do mês.
Essa leitura mais benigna sugere que as pressões de preços estão perdendo fôlego de forma gradual. A difusão, que indica quantos itens subiram, caiu para 60%, mostrando que o alívio se espalhou por mais partes da economia.
Para o Banco Central, o dado reduz preocupações recentes e reforça a ideia de que a política de juros mais altos continua surtindo efeito sobre a inflação mais duradoura, mesmo com o índice anual ainda acima da meta.
O mercado reagiu de forma positiva. A curva de juros teve viés de queda, indicando expectativa de alívio futuro nos custos de empréstimos.
O dólar mostrou leve fortalecimento diante do real, enquanto a Bolsa foi favorecida, especialmente por papéis mais sensíveis aos juros, que tendem a se beneficiar de um ambiente menos apertado.
No geral, o IPCA-15 de hoje trouxe um alívio pontual ao vir abaixo do esperado e mostrar melhora em vários núcleos. No entanto, a inflação ainda permanece alta em 12 meses e a demanda doméstica continua resistente.
“O relatório reforça a expectativa de manutenção dos juros elevados por período prolongado”, diz o economista Jason Vieira, da Lev Intelligence. O sinal, portanto, é positivo no curto prazo, mas não muda o quadro de desafios persistentes.
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Comentários (1)
Como? Não dá pra acreditar...