Vídeo de Michelle divide opiniões entre bolsonaristas
Declarações da ex-primeira-dama contra Flávio Bolsonaro pode ter impacto na campanha presidencial do senador
Um vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em que ela relata ter sido tratada com desrespeito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), abriu uma divisão entre aliados do partido sobre os riscos do episódio para a pré-candidatura do parlamentar à Presidência.
Parte da legenda tenta reduzir a repercussão do caso, enquanto outro grupo admite, em conversas reservadas, que a disputa pode comprometer a relação de Flávio com as eleitoras.
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Eleitorado feminino preocupa aliados
Michelle concentra capital político relevante entre mulheres evangélicas e quadros do PL Mulher, segmento apontado como decisivo para as pretensões eleitorais de Flávio. Ao Globo, um aliado descreveu esse público como algo que o senador “não podia perder de jeito nenhum”, em referência ao risco de afastamento gerado pela crise.
A cúpula do PL, no entanto, evita dramatizar a situação. O líder da bancada na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse esperar que o episódio seja superado “com muita paciência e equilíbrio” e classificou o ocorrido como parte da dinâmica natural de um partido maior do que seus integrantes isoladamente.
Ainda assim, reconheceu que a exposição pública do desentendimento não era desejável: “Não é normal que assuntos internos sejam expostos em redes sociais. Mas tenho plena confiança que o partido saberá conduzir com equilíbrio os próximos passos”.
Já o líder do partido no Senado, Carlos Portinho, defendeu a manutenção da união entre os aliados de direita diante do cenário eleitoral de 2026. Ele afirmou que “só venceremos unidos” e pediu que divergências internas sejam deixadas de lado durante o período de campanha, em nome do objetivo comum de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas.
Avaliações opostas sobre os efeitos políticos
Nem todos no campo bolsonarista compartilham o otimismo da direção partidária. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmou que a disputa deveria ter permanecido restrita à esfera privada e considerou que a repercussão prejudica a imagem de Flávio. Para o parlamentar, o episódio expôs “falta de maturidade emocional” e “falta de maturidade política” das partes envolvidas.
Em direção distinta, um interlocutor próximo à pré-campanha avalia que Michelle teria buscado reafirmar sua influência dentro do bolsonarismo ao tornar pública a divergência, reforçando sua posição como liderança relevante para o grupo.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima da ex-primeira-dama, defendeu a forma como ela conduziu o relato: “Ela foi verdadeira, firme, serena e esclareceu tudo. Esperou meses tudo ser resolvido e não deram nenhum passo em direção a ela. Mas acho que agora é possível um diálogo”.
Aliados também notaram que, apesar das críticas dirigidas ao enteado, Michelle reafirmou apoio à candidatura de Flávio ao final do vídeo, ainda que tímido.
Um outro aliado do senador, segundo O Globo, apontou que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ser colocado em posição delicada pelo conflito entre a esposa e o filho, com possibilidade de pressão futura para que se posicione publicamente, se a crise não for resolvida internamente.
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