Ministro associa debate sobre tarifaço dos EUA a interesses eleitorais
Márcio Elias Rosa afirma que tema deveria ser tratado apenas como questão comercial e critica o que chamou de oportunismo político
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira, 24, que a discussão envolvendo a possível imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem sido contaminada por interesses políticos e eleitorais.
Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o integrante do governo Lula declarou que as negociações com Washington começaram logo após os primeiros anúncios da administração norte-americana e criticou a exploração política do tema por setores da oposição.
“O governo Lula vem negociando com os EUA desde o 1º dia em que as decisões começaram a ser tomadas pelo governo norte-americano. Lamentavelmente, esse tema, que deveria ser apenas tratado como uma pauta comercial, às vezes assume contornos de natureza política e eleitoral”, afirmou.
Sem mencionar nomes, o ministro disse que determinadas lideranças acabam contribuindo para prejuízos ao país ao adotar discursos que classificou como oportunistas.
A fala ocorre em meio à investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que poderá resultar na aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros.
Márcio Elias Rosa também saiu em defesa do Pix, sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central e citado no processo conduzido pelas autoridades norte-americanas.
“O Pix é nosso. O terrível problema é que algumas pessoas incentivam o governo norte-americano a ser o que ele sempre foi: muito forte, muito grande e que imagina que pode causar danos à soberania brasileira”, declarou.
O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos incluiu temas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e o próprio Pix entre os pontos analisados.
Flávio quer falar em audiência
No mesmo contexto, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou participação em audiência pública nos Estados Unidos antes da decisão final sobre a eventual aplicação das tarifas.
De acordo com o documento de inscrição apresentado às autoridades americanas, o parlamentar pretende defender a suspensão do tarifaço e propor uma solução negociada para os pontos levantados pela investigação.
Segundo a argumentação apresentada, a medida acabaria beneficiando o governo Lula, enquanto imporia prejuízos a exportadores brasileiros, importadores americanos e consumidores dos Estados Unidos.
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