Banco emite comunicado para brasileiros sobre o fim dos caixas a partir de julho
Banco anuncia fim dos caixas a partir de julho: entenda como ficará o atendimento
O Bradesco anunciou que a unidade do bairro Rio Vermelho, em Salvador, vai deixar de funcionar como agência tradicional e será convertida em um Escritório de Negócios a partir de julho de 2026, sem caixas de atendimento presencial. A medida faz parte de uma reestruturação que levou o banco a fechar 342 agências em apenas um ano em todo o Brasil.
O que muda na unidade do Rio Vermelho e o que os clientes precisam saber?
Com a transformação em Escritório de Negócios, a unidade do Rio Vermelho passará a oferecer apenas atendimento consultivo e especializado: abertura de contas, empréstimos, financiamentos, investimentos e suporte a empreendedores. Operações rotineiras como saques, depósitos e pagamentos deixarão de ser realizadas presencialmente na unidade. Segundo o BNews, o banco orienta os clientes a utilizarem os correspondentes Bradesco Expresso, terminais da rede Banco24Horas, aplicativo, internet banking ou outras agências próximas para essas operações.
Também em Salvador, o Bradesco confirmou o fechamento completo da agência na Estrada do Coqueiro Grande, no bairro de Cajazeiras, previsto para 27 de julho. A unidade encerrará o atendimento ao público às 12h no dia 24 de julho. Cerca de 11 mil clientes serão transferidos para a agência 2472, localizada no Porto Seco Pirajá, na Rua Álvaro Gomes de Castro.
Quantas agências o Bradesco já fechou no Brasil e por quê?
As mudanças em Salvador fazem parte de um processo muito mais amplo. Segundo dados do Dieese, entre junho de 2024 e junho de 2025, o Bradesco encerrou 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócio em todo o país, representando quase 38% de todos os fechamentos bancários registrados no Brasil no período. O banco planeja fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento ao longo de 2026, conforme anunciado pelo presidente Marcelo Noronha em fevereiro.
O argumento do banco é direto: segundo o próprio Bradesco, apenas 2% das transações são realizadas presencialmente. A Febraban confirma que 7 em cada 10 transações bancárias são feitas pelo celular. O Pix sozinho registrou 63,8 bilhões de transações em 2024. Para os sindicatos, porém, esses números não traduzem a realidade de quem não tem acesso à internet ou dificuldade com tecnologia.

Qual é o impacto desse movimento no setor bancário como um todo?
Dados do Banco Central mostram que em março de 2015 o Brasil tinha 23.154 agências bancárias em funcionamento. Em 2025, esse número caiu para 15.529, uma redução de 32,9% em dez anos. O Bradesco foi o banco que mais fechou unidades no período: 2.550 agências encerradas desde 2015, saindo de 4.654 para 2.104 unidades. O Itaú fechou 2.198, o Banco do Brasil, 1.557, e o Santander, 624.
A aceleração dos cortes também atingiu o emprego no setor. Segundo o Sindicato dos Bancários, apenas no primeiro semestre de 2025 foram demitidos 2.500 bancários em todo o país, média de mais de 11 demissões por dia. Na Bahia, mais de 130 agências fecharam nos últimos cinco anos, forçando moradores de algumas regiões a percorrer até 50 km para realizar operações bancárias básicas.
| Banco | Agências fechadas (2015–2025) | Rede atual |
|---|---|---|
| Bradesco Maior volume de fechamentos do período | 2.550 unidades encerradas | 2.104 agências |
| Itaú Segundo maior volume de fechamentos | 2.198 unidades encerradas | 1.649 agências |
| Banco do Brasil Maior rede atual do país | 1.557 unidades encerradas | 3.987 agências |
| Caixa Econômica Federal Menor redução entre os grandes bancos | 189 unidades encerradas | 3.212 agências |
Quem é mais afetado pelo fechamento das agências e quais grupos precisam de atenção?
Para quem tem smartphone e acesso à internet, a transição para o atendimento digital é, na prática, transparente: o Pix funciona 24 horas, os aplicativos permitem pagar contas, fazer transferências e consultar saldo sem sair de casa. O problema está nos grupos que ficam fora desse modelo. Ronaldo Ornelas, dirigente do Sindicato dos Bancários da Bahia, resume o impacto: “Uma parcela significativa da população não consegue operar aplicativos bancários, seja por analfabetismo, idioma ou falta de internet.”
Idosos, moradores de cidades pequenas e pessoas sem acesso à internet estável são os mais expostos a esse processo. Em alguns estados, a reação chegou ao Judiciário: em abril de 2025, o Tribunal de Justiça do Maranhão suspendeu o fechamento de 16 agências do Bradesco após ação do Procon estadual, indicando que o ritmo dos cortes pode ser contestado quando compromete o acesso da população a serviços bancários essenciais.
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O que o Bradesco diz sobre a estratégia e o que vem pela frente?
O Bradesco justifica as mudanças pelo comportamento dos próprios clientes: apenas 2% das transações ocorrem presencialmente, enquanto 99% são realizadas por canais digitais. O plano do banco para 2026 prevê fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento ao longo do ano, segundo declarações do presidente Marcelo Noronha divulgadas em fevereiro. A reestruturação inclui também maior investimento em tecnologia e migração dos sistemas para a nuvem.
O processo não é exclusivo do Bradesco nem do Brasil. É uma tendência global nos sistemas bancários impulsionada pela digitalização acelerada pós-pandemia. O que diferencia o caso brasileiro é a velocidade do movimento e a dimensão do impacto sobre populações que ainda dependem do atendimento físico. Quem for cliente das agências de Salvador afetadas pelas mudanças de julho deve verificar diretamente com o banco as opções de atendimento disponíveis na região e como ficará o acesso aos serviços após a conversão ou fechamento das unidades.
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