François Englert, prêmio Nobel de Física, morre aos 93 anos
Cientista belga da ULB ajudou a prever, ainda na década de 1960, a existência do bóson de Higgs
A Universidade Livre de Bruxelas (ULB) confirmou a morte do físico belga François Englert, ocorrida na quinta-feira, 18, em Uccle. Ele tinha 93 anos e foi um dos responsáveis pela formulação teórica que previu a existência do bóson de Higgs, partícula fundamental para o entendimento da estrutura da matéria segundo o Modelo Padrão da física.
Trajetória entre engenharia e física teórica
Nascido em 6 de novembro de 1932, em Etterbeek, região metropolitana de Bruxelas, Englert formou-se inicialmente em engenharia civil antes de migrar para a física teórica, campo em que concluiu o doutorado. A mudança de rumo o levou à Universidade Cornell, nos Estados Unidos, onde estabeleceu parceria com o físico americano Robert Brout.
A dupla se transferiu posteriormente para a Bélgica, onde assumiu a direção do Serviço de Física Teórica da ULB. Foi ali que, em 1964, desenvolveram o que ficou conhecido como mecanismo Brout-Englert-Higgs, base teórica que antecipou em quase cinco décadas a confirmação experimental da partícula, realizada em 2012 pelo CERN, laboratório europeu de física de partículas sediado na Suíça.
Nobel dividido com Peter Higgs
O reconhecimento pelo trabalho veio em 2013, quando Englert recebeu o Prêmio Nobel de Física ao lado do britânico Peter Higgs, morto em 2024. Na ocasião, o belga definiu o propósito de sua pesquisa à imprensa. Segundo a ULB, ele afirmou buscar “uma compreensão, uma inteligibilidade racional do mundo”.
Ainda durante as celebrações do prêmio, Englert relacionou o valor da ciência à fragilidade das sociedades diante de ideologias extremistas: “As ideias não racionais já causaram danos suficientes à Europa. A ciência é essencial para construir uma civilização digna desse nome”. O físico se descrevia como inconformista e não religioso.
A biografia de Englert também carrega marcas da história europeia do século 20. Filho de uma família de comerciantes judeus de Bruxelas, viveu na clandestinidade durante a ocupação nazista da Bélgica, na Segunda Guerra Mundial. Décadas depois, em 2013, foi nomeado barão pelo rei Albert II, em reconhecimento à contribuição científica.
A ULB classificou Englert como uma referência da física teórica contemporânea e destacou o vínculo de mais de setenta anos do cientista com a pesquisa acadêmica, do qual a instituição diz guardar uma marca permanente em sua própria história.
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