Governo de SP adota nova metodologia de segurança hídrica
Atualização leva em conta histórico hidrológico mais longo e comportamento específico do reservatório Cantareira
O governo de São Paulo confirmou nesta sexta-feira, 19, mudanças na forma de acompanhar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. A regra passa a usar 15 anos de série histórica hidrológica, cria uma curva própria para o Sistema Cantareira e estabelece avaliação mensal das faixas de contingência.
O texto será formalizado em deliberação da Arsesp na próxima segunda-feira, 22, com participação técnica da SP Águas.
Histórico mais longo e olhar específico para o Cantareira
A revisão considera 15 anos de comportamento hidrológico, período que abrange ciclos de El Niño e La Niña — fenômenos com nova previsão de ocorrência nos próximos meses. Até então, o monitoramento usava uma janela de dados mais curta.
O Sistema Cantareira ganhará curva de contingência separada do restante do Sistema Integrado Metropolitano (SIM).
Segundo a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, o reservatório tem regime de chuvas distinto, com período chuvoso que se estende até o fim de maio, e amargou apenas 62% da média hidrológica em 2025/2026, contra 90% no ciclo anterior: “A inclusão de uma curva específica de contingência do Cantareira nos dá mais segurança de que estamos enxergando o cenário completo, ampliando nossa capacidade de antecipar tendências importantes no comportamento hidrológico”, afirmou.
Faixas passam a ser revistas mês a mês
As sete faixas de contingência — que vão do Regime Diferenciado de Abastecimento ao rodízio entre regiões — continuam as mesmas, mas o ritmo de reavaliação muda. O diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, explicou a alteração: “O que muda é que, em vez de adotarmos o prazo de 7 dias para avançarmos de faixa, e 14 dias para voltarmos à faixa anterior, passaremos a avaliar mensalmente o cenário no Comitê de Integração das Agências”.
A nova periodicidade segue padrão já utilizado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e pela própria SP Águas no caso do Cantareira. A definição da faixa vigente passa a sair de reunião mensal do comitê, com nota técnica publicada no último dia de cada mês analisado.
Consulta pública gerou ajustes no texto
A proposta recebeu 192 manifestações de concessionárias, órgãos públicos, entidades civis e cidadãos. Desse total, 89 contribuições resultaram em alterações no texto final da metodologia.
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, citou o desempenho da gestão hídrica em 2025, ano de baixo volume de chuvas: “Nossas reuniões são semanais e ao longo de todo esse período temos analisado a situação hídrica continuamente, atuando sempre com base em prevenção e contingência”.
Segundo o governo, a Gestão de Demanda Noturna (GDN), em vigor desde 28 de agosto de 2025, gerou economia de mais de 158 bilhões de litros de água.
O pacote também incluiu obras de ampliação de oferta hídrica, como as transferências de Itapanhaú e Guaratuba, já concluídas, e projetos previstos até 2027, como a Transposição Billings-Taiaçupeba.
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