Márcio Coimbra na Crusoé: Como virar o jogo do comércio internacional
Chegou o momento de deixarmos de exportar apenas o couro da bola para entregar a tecnologia que vai dentro dela
Há uma regra essencial que une a geopolítica dos gramados e a diplomacia corporativa: o desenho tático dita os rumos antes do primeiro apito do juiz.
Na Copa do Mundo de 2026, o cruzamento das chaves faz mais do que definir adversários esportivos, expõe as feridas históricas da nossa inserção econômica.
Em minha trajetória profissional, liderando missões comerciais dentro e fora do ambiente governamental, sempre encarei o comércio exterior com o mesmo rigor de um esquema de jogo, convicto de que o passaporte para a vitória, nos campos ou nos negócios, reside na estratégia.
Ao observar as nações no torneio, percebe-se que o Brasil repete uma “retranca estratégica”, exportando biomassa primária de baixo custo e comprando inteligência manufaturada.
Retranca brasileira
A soberania econômica não se mede em toneladas despachadas, mas no controle dos canais de distribuição e no valor percebido pelo consumidor estrangeiro. Esse diagnóstico ganha força frente a gigantes como Estados Unidos e Alemanha.
Nos EUA, mesmo com vendas em 37 bilhões de dólares sob novas barreiras, o déficit atingiu 7,5 bilhões de dólares pela dependência de manufaturados complexos.
No embate com a Alemanha, que fornece 14 bilhões de dólares em importações ao país, o cenário repete nossa vulnerabilidade: enviamos café cru e soja, enquanto importamos maquinários pesados, reatores e insumos farmacêuticos. Seja contra a maior economia das Américas ou…
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