Alcolumbre “deveria cumprir seu dever e instalar a CPMI do Master”, diz Girão
Presidente do Senado Federal se recusa a criar o colegiado ou uma CPI do Banco Master, mesmo com pressão de parlamentares
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) voltou a cobrar do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), nesta sexta-feira, 19, pelo X, a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A cobrança ocorreu em comentário sobre a manifestação de Alcolumbre a respeito da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) que teve como alvo o líder do governo na Casa Alta, Jaques Wagner (PT-BA).
Em sua fala, na quinta, Alcolumbre disse que muitos advogados se queixam de não conseguirem acessar os autos de processos para poder fazer a defesa na plenitude e afirmou que está errado um “mantra” existente no Brasil de que todos são culpados até provarem ser inocentes. Além disso, ele prestou solidariedade a Wagner.
“Onde estava Alcolumbre quando os presos políticos de 8/1 não tiveram acesso aos autos? Só faltava essa! Após a operação da PF sobre a participação do líder do Governo Lula do Senado na fraude do Banco Master, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, decidiu cancelar mais uma sessão do Congresso Nacional que precisa deliberar sobre 11 projetos e 90 vetos presidenciais”, iniciou Girão, em sua publicação no X.
“Ao tentar explicar as dificuldades para alcançar um acordo que permita as votações, acaba reforçando a tese dos ‘dois pesos e duas medidas’, ao criticar a atuação do ministro André Mendonça e da Polícia Federal no escândalo Master, enquanto nada fez em relação aos abusos e arbitrariedades denunciados nos processos referentes aos atos de 8 de janeiro”.
Ele prosseguiu: “Diante do agravamento da situação, deveria cumprir seu dever institucional e permitir a instalação da CPI ou CPMI do Banco Master. Mas parece que tem uns conflitos de interesse acolá, né? A AMPREV que o diga!“.
Frequentemente, Girão aponta que Alcolumbre não autoriza a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito ou CPMI do Master devido a um conflito de interesses.
“Seu tesoureiro de campanha, presidente da Amprev (indicado por ele ao cargo) e seu irmão, conselheiro fiscal da mesma entidade, colocaram – mesmo diante de alertas – 400 milhões de reais em letras podres no Banco Master”, argumenta o congressista.
Palanque eleitoral?
Na última sessão conjunta da Câmara e Senado, em 21 de maio, Alcolumbre foi cobrado por diferentes parlamentares a criar a CPMI, mas descartou fazer a leitura dos requerimentos naquela data.
Depois, em 2 de junho, o parlamentar argumentou que o colegiado seria um “palanque eleitoral“.
“Alguns dias atrás, eu sentei numa sessão do Congresso Nacional e eu fui ofendido e atacado porque eu não li o ofício de criação de uma CPMI”, disse o senador.
“Eu passei quatro horas sendo agredido na sessão do Congresso, da direita para a esquerda, porque eu não li um requerimento de CPMI do Banco Master. Meu amigo, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso”, pontuou.
“Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral. Esse é o problema nosso“.
Ele prosseguiu: “Estão querendo, cobrando do presidente Davi, ofendendo e atacando para abrir mais um palanque eleitoral, que não é para mim nem para o Brasil, ou é para direita, ou é para a esquerda, porque esse negócio está se retroalimentando. Cada um fala para o outro porque está muito cômodo, não tem alternativa”.
Alcolumbre ressaltou que, em sua visão, os parlamentares querem a CPMI ou CPI do Master não “para passar o Brasil a limpo”, mas sim “para fazer campanha eleitoral“.
As CPMIs e CPIs têm poderes de investigação equiparados aos das autoridades judiciais, como determinar diligências, ouvir indiciados e inquirir testemunhas. Para que uma CPMI seja criada, o presidente do Congresso precisa fazer a leitura do requerimento de criação numa sessão conjunta da Câmara e Senado.
Já para que uma CPI seja criada na Casa Alta, o presidente do Senado precisa ler o requerimento em sessão deliberativa do plenário.
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