Crusoé: O Congresso quer gastar
Parlamentares encampam a tradicional pauta eleitoral de bondades enquanto o Brasil caminha para crise fiscal pelas mãos do governo Lula
O Brasil registra déficit primário recorrente nas contas públicas desde 2014. Isso significa que o governo gasta mais do que arrecada com tributos em um ano, sem contar o pagamento de juros da dívida pública.
Em 2025, o resultado negativo foi de 0,46% do Produto Interno Bruto (PIB). Neste ano, o déficit deve ser de 0,7% do PIB e, em 2027, de 1,3%, segundo as projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI).
Quando a dívida pública cresce, investidores exigem do governo juros mais elevados para emprestar dinheiro, a inflação tende a ser pressionada e o ritmo de crescimento econômico diminui.
A culpa disso tudo é do governo Lula (PT), que não fez o necessário — e potencialmente impopular — ajuste fiscal. Mas não são apenas os lulistas que desdenham desses problemas. Em meio ao iminente colapso fiscal, o Congresso Nacional resolveu avançar com mais gastos.
“Pauta-bomba”
O Senado aprovou, em 10 de junho, um projeto de lei que permite a produtores rurais acessarem uma linha especial de refinanciamento de dívidas, com carência, juros mais baixos e prazo alongado.
O texto tem o apoio da bancada do agronegócio no Congresso, mas, segundo nota conjunta divulgada pelo Ministério Fazenda e o Ministério do Planejamento no último dia 11 de junho, responde por um custo de até 140 bilhões de reais em 13 anos.
A nota dos dois ministérios alerta que nove propostas em tramitação no Congresso representam, em conjunto, impacto fiscal estimado em 111 bilhões de reais por ano.
Além do projeto aprovado pelo Senado, entra na lista a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária para templos de qualquer culto, aprovada pela Câmara dos Deputados em 28 de maio. O custo mínimo estimado é de 10 bilhões de reais por ano.
Já o projeto de lei que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de 3.636 reais para 13.662 reais para jornada de 20 horas semanais, aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado…
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