Alcolumbre cancela sessão do Congresso após operação da PF que mira Jaques Wagner
Sessão conjunta da Câmara e Senado para análise de vetos do presidente Lula foi adiada; Alcolumbre se manifestou sobre operação
O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou na manhã desta quinta-feira, 18, o adiamento da sessão conjunta da Câmara e Senado que estava marcada para hoje. Segundo o parlamentar, o motivo foi o baixo quórum de congressistas e a falta de um acordo para votação dos vetos presidenciais.
Alcolumbre disse que, nos últimos 30 dias, os líderes partidários da Câmara e do Senado não conseguiram se reunir para tratar especificamente da sessão que estava marcada para hoje. Além disso, “muitas vezes lideranças do mesmo partido na Câmara e no Senado se colocam contrários a alguns acordos que o governo tenta construir em relação, principalmente, à cédula de votação”.
Alcolumbre ressaltou que 100% do Congresso está insatisfeito com a pauta que havia sido estabelecida para a sessão desta quinta, mesmo após um “esforço extraordinário” por parte da presidência do Congresso para elaborar a pauta.
“É inacreditável, porque de ontem para hoje, infelizmente, mesmo tirando 300 dispositivos e 20 vetos, as críticas sobre essa pauta ainda estão muito grande”.
O anúncio do cancelamento da sessão ocorreu horas depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Alcolumbre disse que vai pedir para todos os líderes da Câmara e do Senado, na próxima semana, para fazerem reuniões periódicas pelos próximos 10 ou 15 dias para chegarem a um acordo para a sessão do Congresso. “E daqui a 10 ou 15 dias, antes do recesso parlamentar, eu vou ter uma sessão do Congresso com acordo de cédula ou sem acordo de cédula”, acrescentou.
Espera do trânsito em julgado
Alcolumbre se manifestou também sobre a operação da PF. Ele ressaltou que os parlamentares respeitam e admiram a trajetória política de Jaques Wagner para chegar ao Senado.
“Precisamos entender que ninguém neste país pode ser condenado antes do trânsito em julgado de um processo. E todos neste país podem ser investigados, todos podem ser ou ter, por parte do Judiciário, algum questionamento, e isso é normal no Estado Democrático de Direito. Mas todos também tem que ter a presunção da inocência”, pontuou.
“Seja ele um senador ou um deputado federal do PT, ou seja ele um senador ou um deputado federal do PL. Mas talvez esteja muito cômodo hoje para quando uma operação da Justiça se dá em cima de um senador ou um deputado do PL, os deputados e senadores do PT comemorarem. E vocês sabem do que eu estou falando. E hoje talvez esteja muito cômodo também quando tem uma operação de senadores do PT, senadores ou deputados do PL comemorarem”.
Alcolumbre prosseguiu: “Então, eu quero dizer que eu não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo neste país. Neste país, muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública e, no passar do tempo, a maioria delas provou a sua inocência”.
O presidente do Congresso ainda reforçou que “todo mundo tem que ser inocente até que se prove o contrário”. De acordo com ele, porém, atualmente “está todo mundo culpado até que se prove o contrário”. “E isso, eu vou falar para vocês na condição de presidente do Congresso Nacional, é muito triste”, acrescentou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Ita
18.06.2026 15:24Quem foi inocentado?????? foi(oram) descondenado(s) mesmo após admitir-se os crimes e delações premiadas. Isso sim.