Enteado de Jaques Wagner cobrou gestor do Master: “Amanhã vence os boletos”
Empresa vinculada ao núcleo de ex-sócio de Vorcaro transferiu 3,5 milhões de reais a empresa da cônjuge de enteado de Wagner
A Polícia Federal (PF) aponta que Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), teria exercido papel ativo nas cobranças dirigidas ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Uma transferência de 3,5 milhões de reais feita pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto, à BN Financeira LTDA., empresa à qual Eduardo é vinculado e que tem a cônjuge dele como sócia, teria sido precedida por diálogos nos quais Eduardo cobrava solução de pendências financeiras.
Em 4 de setembro de 2025, Eduardo teria afirmado: “Amanhã vence [sic] os boletos e são altos”. Em resposta, AUGUSTO afirmou que o cenário estava “crítico” e vinculou a dificuldade financeira ao insucesso da operação Banco Master/BRB, sugerindo inclusive que se cancelasse a nota para posterior emissão.
Em 17 de outubro de 2025, a operação foi concluída com transferência de 3,5 milhões de reais à BN Financeira LTDA., feita pela PKL One Participações S.A.
A PF também menciona planilhas identificadas no aparelho de Daniel Lopes Monteiro – operador jurídico-financeiro associado ao núcleo do Banco Master – contendo pagamentos a “Dudu”, apelido que, segundo a investigação, corresponderia a Eduardo, com valores superiores a 2,34 milhões de reais.
As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou medidas contra Eduardo, Augusto e Jaques Wagner.
O ministro ressalta que a BN Financeira LTDA. “é indicada como pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de JAQUES WAGNER”.
Segundo a representação da PF, diz o ministro, “a empresa teria sido constituída como microempresa, com capital social reduzido e sem aparente estrutura operacional compatível com os valores movimentados, apesar de ter recebido ao menos 3,5 milhões de reais da PKL One Participações S.A”.
O ministro prossegue: “A Polícia Federal sustenta que a empresa teria sido utilizada para conferir aparência de licitude a repasses financeiros supostamente desvinculados de prestação real de serviços, funcionando como veículo formal de recepção e dissimulação de vantagens indevidas”.
Mendonça é o relator das investigações sobre crimes envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
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Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
18.06.2026 23:39A PTralhada sempre vivendo às custas de "empresários" buddy-buddy. Esse cara cobrar $ pra pagar boletos lembra muito o "Moch" indo aos escritórios dos empreiteiros cobrar o "Pixuleco".