PF encontra comprovante de R$ 7 milhões na casa de bicheiro contratado por Vorcaro
Investigação aponta que Manolo Dom, apontado como bicheiro e miliciano, teria participado de esquema para intimidar ex-funcionários do Banco Master
A Polícia Federal (PF) encontrou um comprovante bancário no valor de R$ 7 milhões na casa de Manoel Mendes Rodrigues, apontado como bicheiro e miliciano do Rio de Janeiro, que teria sido contratado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para intimidar ex-colaboradores do Banco Master entre 2024 e 2025.
Apresentado como “empresário do jogo do bicho”, Rodrigues era identificado como integrante da “Turma do Rio”. Em território fluminense, ele era conhecido como Manolo Dom e mantinha ligações com o bicheiro foragido Bernando Bello.
No relatório elaborado pela PF, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça, 16, os investigadores ainda não detalharam a origem do dinheiro. Na casa de Dom, também foram encontrados um cheque de R$ 40 mil, sete cheques de R$ 25 mil, dois smartphones e um computador.
‘Sicário’
De acordom com o relatório, os contatos entre Vorcaro e Dom eram intermediados por Luis Phillipe Mourão, conhecido como Sicário.
O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, encaminhava R$ 1 milhão por mês ao Sicário, que depois distribuía o valor entre a Turma. Esse grupo também era composto por hackers.
De acordo com a PF, os pagamentos eram realizados por meio de notas frias e laranjas.
Uma das ações atribuídas a Dom teve como alvo o chef de cozinha e o capitão do Solar I, embarcação de Daniel Vorcaro ancorada na marina de Angra dos Reis, no litoral fluminense. Conversas encontradas no celular do banqueiro indicam que ele suspeitava que os funcionários tivessem gravado festas realizadas no navio e determinou que o cunhado, Fabiano Zettel, e Mourão tomassem providências.
Em mensagem enviada em 1º de junho de 2024, Mourão informou que se reuniria com os ex-funcionários acompanhado de “PF” — referência, segundo a investigação, a policiais cooptados — e do “pessoal do Rio”.
“Acho que tem que ser os dois. O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro, o outro já vai assustar”, escreveu Vorcaro ao intermediário.
Ao ser abordado pelo grupo em 4 de junho de 2024, o capitão da embarcação, Luis Felipe Woyceichoski, negou a existência de gravações.
“Eu te falo da minha parte: confidencialidade, né? A gente tem as nossas festas, eu tenho muito cuidado”, disse Woyceichoski a Dom, em conversa gravada por Mourão e encaminhada a Vorcaro.
Chef de cozinha
Como mostramos, um ex-chefe de cozinha que trabalhou na casa de Daniel Vorcaro, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, disse à PF que foi intimidado pelo ex-banqueiro após ser demitido.
Segundo o relato, em 2024, ele foi abordado por um grupo interessado em saber se mantinha registros em seu celular, como fotografias e vídeos do período em que trabalhou na residência.
Em depoimento, o cozinheiro afirmou ter sido confrontado em seu novo local de trabalho, um hotel também localizado em Angra dos Reis, cerca de dois meses após sua demissão.
“Uma garçonete me chamou e disse que queriam falar comigo. Eu não tinha visto a quantidade de pessoas que estavam me esperando, umas sete. Um rapaz forte se apresentou como Emanuel ou Manuel e disse que tinha ido a mando do seu Daniel para saber se eu tinha alguma coisa dele ou da esposa dele no celular”, afirmou o cozinheiro.
Leia mais: Ex-chef diz à PF que foi intimidado por grupo ligado a Vorcaro após demissão
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