Irã ameaça retaliar Israel após acordo com Washington
Teeerã exige que Tel Aviv encerre operações militares no sul do Líbano como condição para a estabilidade do entendimento firmado com os EUA
As Forças Armadas do Irã emitiram nesta terça-feira, 16, uma advertência formal a Israel, condicionando a manutenção do acordo diplomático com os Estados Unidos ao fim das operações militares israelenses no sul do Líbano.
O Quartel-General Central de Jatam al Anbiya, um dos principais comandos das Forças Armadas iranianas, divulgou comunicado pela televisão estatal em que responsabilizou Israel pela continuidade da violência na região.
“Se o Exército do regime sionista, responsável pelo assassinato de crianças, não puser fim à violência no sul do Líbano, cabe esperar uma dura resposta das poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã”, afirma a nota.
Segundo o mesmo órgão militar, as forças israelenses teriam descumprido o cessar-fogo “84 vezes” nas 48 horas seguintes ao anúncio do acordo entre Washignton e Teeerã — acusação que Tel Aviv não comentou publicamente até o fechamento desta reportagem.
Divergência sobre o alcance do acordo
A posição iraniana é de que o cessar-fogo no Líbano integra o memorando firmado com os Estados Unidos. O chanceler Abbas Araqchi foi categórico ao afirmar que “o fim da guerra no Líbano é uma parte inseparável” do entendimento.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, reiterou a mesma interpretação em conversa com o presidente da Câmara libanesa, Nabih Berri: “A guerra deve terminar em todos os frentes, incluído o Líbano”.
De acordo com informações do veículo que originou esta reportagem, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu adotou posição contrária. Após o anúncio do acordo, declarou que Israel manterá seus contingentes militares no sul do Líbano, em zonas da Síria e na Faixa de Gaza, descartando alterações imediatas na estratégia regional.
Washington pede contenção
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu publicamente as tensões em torno do pacto e cobrou de Israel uma conduta de “mais responsabilidade em relação ao Líbano”.
Trump admitiu que a questão envolvendo o Hezbollah permanece como um dos maiores obstáculos para consolidar o entendimento com Teerã.
Com negociações em curso para um arranjo de maior alcance, os eventos no sul do Líbano seguem como o principal ponto de atrito entre as partes, evidenciando que o anúncio formal do acordo ainda não se refletiu em estabilidade no terreno.
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