A descrença (cada vez maior) do eleitor com a terceira via
Pesquisa BTG/Nexus reforça que o eleitor brasileiro não está, neste momento, empolgado com surgimento de uma alternativa a Lula e Bolsonaro
A nova pesquisa BTG/Nexus traz um dado que deveria tirar o sono de todos os aspirantes a romper a polarização brasileira.
Enquanto a preferência por um candidato apoiado por Lula subiu de 37% para 40% entre março e junho, a fatia dos eleitores que deseja alguém não apoiado nem pelo petista nem pelo bolsonarismo despencou de 38% para 31%. Ao mesmo tempo, cresceu de 11% para 24% o contingente que quer um nome apoiado por Jair Bolsonaro ou por alguém de sua família.
Em outras palavras: o eleitor brasileiro não está procurando uma saída pela terceira porta. Está, ao contrário, se reorganizando em torno das duas portas que já conhece.
O dado é devastador para os projetos presidenciais de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Cada um à sua maneira aposta na fadiga da polarização.
A tese é sedutora: haveria um enorme contingente de brasileiros cansados de PT e Bolsonaro, esperando apenas o surgimento de uma alternativa racional, moderna e eficiente.
O gráfico mostra precisamente o oposto.
O grupo que rejeita simultaneamente Lula e Bolsonaro não apenas deixou de crescer como perdeu sete pontos em menos de três meses. Enquanto isso, o eleitorado inclinado ao campo bolsonarista mais que dobrou, saltando de 11% para 24%. E o lulismo preservou praticamente intacto seu núcleo de apoio, chegando aos 40%.
Isso ajuda a explicar por que as candidaturas alternativas permanecem anêmicas nas pesquisas de primeiro turno. Em maio, Zema aparecia com 4%, Caiado com 5% e Renan Santos com algo entre 3% e 4%. Juntos, continuam incapazes de formar uma massa crítica competitiva.
Para Zema, Caiado e Renan Santos, o desafio é quase intransponível. Não basta encontrar o discurso certo ou melhorar o desempenho nas redes sociais. Eles precisam convencer milhões de brasileiros de que vale a pena abandonar identidades políticas consolidadas em favor de um projeto ainda sem densidade eleitoral. Até aqui, os números sugerem exatamente o contrário: o Brasil de 2026 não está saindo da polarização. Está, na verdade, cooptado por ela.
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Comentários (4)
Aldo
17.06.2026 18:59O brasileiro no geral não quer ter trabalho escolhendo candidato, a imensa maioria nem iria votar se não fosse obrigatório. A escolha é feita num regime de FLA X FLU e procura-se votar naqueles melhores colocados nas pesquisas na esperança de não haver segundo turno, senão será mais um domingo prejudicado. Aliás, muita gente mais humilde ou de cidades pequenas do interior considera perdido o voto num candidato que não conseguiu eleger-se, como se o voto (aposta) no candidato certo lhe concedesse direito a alguma reinvidicação pessoal.
André Miguel Fegyveres
16.06.2026 22:13Neste ano de Copa do Mundo, estou torcendo pelo Brasil! Portanto torço para que o presidente eleito seja Ronaldo Caiado! Basta de corrupção, escandalos, traidores e bajuladores!
André Miguel Fegyveres
16.06.2026 20:08Na minha modesta pesquisa pessoal, aqui em S. Paulo, constatei junto a trabalhadores simples tais como pessoal de manutenção, segurança, jardinagem, acostumados a trabalhar duro e a fazer horas extras em finais de semana e feriados que os mesmos, ao contrário do que ocorria no passado, estão melhor informados e grande parte pensa em votar em Caiado ou Zema e a maior rejeição é para Lula.
Falta união da direita. Criar am muitos pré-candidatos ai o povo se divide. Tivesse só um, ele teria muito mais força.