Não é a direita, mas o bolsonarismo que, hoje, tende a perder para Lula
O problema, para os que se opõem ao PT, não é a força de Lula. É a incapacidade de o campo oposicionista produzir uma liderança competitiva
Após uma série de pesquisas confirmar a tendência de vitória do lulopetismo na corrida pelo Planalto em outubro próximo, a despeito da contrariedade do ministro do STF Kassio Nunes Marques que, na Presidência do TSE, suspendeu monocrática e liminarmente uma pesquisa do instituto AtlasIntel que apontou, em primeira mão, a queda de Flávio Bolsonaro após a divulgação pública dos áudios em que ele pede dinheiro – milhões de dólares – ao “irmão” Daniel Vorcaro, ex-banqueiro envolvido na crise do Banco Master, em processo de liquidação pelo Banco Central, diversos analistas e cientistas políticos apontam como praticamente irreversível a chance de reeleição do chefão petista, que deverá continuar a afundar o país (pela quarta vez).
Porém, esses mesmos analistas e cientistas políticos cometem, em sua maioria, um erro e, eu diria, uma injustiça com o eleitorado antipetista e verdadeiramente de direita: eles atribuem justamente a este espectro da população a possível futura derrota para a “alma mais honesta deste país”.
Ora, o antipetismo, sim, tende a perder por ser menor – ao menos segundo as pesquisas atuais – ou para o lulopetismo ou para quem não tem tanta rejeição assim pelo partido do mensalão e do petrolão. Mas a direita, não. Porque não é a direita que está disputando a eleição presidencial, e sim um grupelho oportunista, patrimonialista, egotista, corrupto, reacionário, antidemocrático e totalmente incapaz não só de administrar o país – vide Jair Bolsonaro -, mas até mesmo de disputar uma eleição tão dura.
Nomes aos bois
A eleição não é Lula contra a direita. É Lula contra o clã Bolsonaro. Se a sociedade brasileira, seja lá por qual motivo, resolveu não permitir que outrem representasse a oposição ao PT, são outros quinhentos. Mas atribuir a essa gente o selo de líder da direita do país é uma ofensa a quem de fato se identifica com o antiesquerdismo ou com o liberal-conservadorismo.
A família das rachadinhas, dos imóveis comprados em dinheiro vivo, dos milicianos, de Daniel Vorcaro e afins representa, no máximo, a si mesma e a uma turba de fanáticos aloprados que bate continência para pneu e bebe detergente.
O problema, para os que se opõem ao PT, não é a força de Lula. É a incapacidade de o campo oposicionista produzir uma liderança competitiva, minimamente preparada e desvinculada dos escândalos, das excentricidades e do culto à personalidade que transformaram o bolsonarismo em um projeto familiar de poder.
Se as pesquisas estiverem corretas e forem ratificadas em outubro próximo, não será uma derrota da direita. Será, antes de tudo, mais uma derrota do próprio bolsonarismo.
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Comentários (4)
André Miguel Fegyveres
15.06.2026 23:35Agora, graças à Deus, temos Ronaldo Caiado, experiente, preparado, HONESTO e eleito 2 vezes como governador de Goiás. Depois da Copa de Futebol estaremos a 3 mêses antes das eleições e nos debates e entrevistas veremos como ainda no 1º turno, Caiado passará à frente de Flávio Bolsonaro(experiente em lojas de chocolate, rachadinhas, compra de imóvel de alto luxo em Brasília etc.) mas vazio de conhecimento e preparo para governar um país do tamanho do Brasil.
Magdalena Buzolin
15.06.2026 18:58Perfeito seu comentário, parece que nós brasileiros de direita estamos atrelados ao Bolsonaro e familicia. Gostaria que na eleição fosse eleito alguém descente, que mostrasse a estes dois polos antagônicos que a direita nada tem a ver com edte grupo bolsonarista
Guilherme Rios Oliveira
15.06.2026 17:16Exato!!!!!!
Eliane Santos Neves
15.06.2026 16:07Parabéns pelo artigo. Exatamente o que eu penso.