Bolsa Família segue como trunfo eleitoral de Lula
Pesquisa BTG/Nexus mostra que presidente domina entre beneficiários do programa social, enquanto Flávio Bolsonaro concentra apoio entre evangélicos, eleitores de maior renda e trabalhadores formais
A nova pesquisa BTG/Nexus reforça uma das principais marcas da política brasileira desde a redemocratização: a forte identificação entre os beneficiários de programas sociais e os candidatos do PT. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, 15, Lula (PT) aparece com ampla vantagem entre os eleitores que recebem o Bolsa Família, segmento em que alcança 62% das intenções de voto no primeiro turno, contra apenas 20% de Flávio Bolsonaro (PL).
A diferença ajuda a explicar a liderança do petista no cenário presidencial de 2026. O desempenho de Lula entre os beneficiários do programa é muito superior ao registrado entre os demais eleitores. Entre quem não recebe o benefício, a disputa é bem mais equilibrada: o presidente tem 35% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 40%.
Os dados mostram que o eleitorado de Lula continua concentrado nos segmentos de menor renda. O presidente lidera entre aqueles que ganham até um salário mínimo, entre moradores do Nordeste, idosos e pessoas fora do mercado formal de trabalho. No Nordeste, por exemplo, Lula chega a 59% das intenções de voto, quase três vezes mais que os 22% obtidos por Flávio Bolsonaro.
Já o senador e filho de Jair Bolsonaro, apresenta desempenho mais forte nos grupos tradicionalmente associados ao bolsonarismo. Seu melhor resultado aparece entre os evangélicos, onde registra 48% das intenções de voto, contra 27% de Lula. Flávio também lidera entre trabalhadores formais e entre os eleitores com renda familiar superior a cinco salários mínimos.
O retrato revelado pela Nexus evidencia uma polarização cada vez mais marcada por perfis socioeconômicos distintos. De um lado, Lula mantém sua força entre os eleitores de menor renda, beneficiários de programas sociais e moradores do Nordeste. De outro, Flávio Bolsonaro encontra sustentação principalmente entre evangélicos, trabalhadores inseridos no mercado formal e brasileiros de renda mais elevada.
A segmentação reaparece no segundo turno. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula venceria Flávio por 67% a 27%. Já entre os não beneficiários, o senador aparece numericamente à frente, com 45% contra 46% do petista, em um cenário de empate técnico.
Os números sugerem que a disputa de 2026 continua sendo travada entre dois “Brasis” bastante distintos: um fortemente vinculado às políticas de transferência de renda e outro mais alinhado às bandeiras conservadoras e ao legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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