O famoso chifre do narval é um dente canino invertido com cerca de 10 milhões de terminações nervosas, e estudos mostram que ele também serve para caçar
No extremo norte do planeta, o narval é um dos símbolos mais curiosos da vida marinha do Ártico
No extremo norte do planeta, o narval é um dos símbolos mais curiosos da vida marinha do Ártico. Conhecido como “unicórnio do mar”, destaca-se pela longa presa em forma de espiral, que é na verdade um dente modificado.
Pesquisas mostram que essa estrutura se relaciona à alimentação, à comunicação, ao comportamento social e à sensibilidade ao ambiente.
O que é a presa de narval?
O narval (Monodon monoceros) possui apenas dois dentes superiores, e o esquerdo dos machos geralmente cresce continuamente, atravessa o lábio e forma uma espiral, podendo atingir cerca de 3 metros.
Ao contrário de outros mamíferos, a superfície externa da presa é altamente inervada e fica exposta à água gelada. Pequenos canais conectam o exterior à polpa interna do dente, tornando essa “lança” um órgão sensorial especializado, não um simples chifre ornamental.

Como a presa de narval auxilia na alimentação?
Observações com drones indicam que machos usam a presa de narval para capturar peixes rápidos, como o bacalhau-do-Ártico. Golpes laterais curtos parecem atordoar presas individuais, que então são sugadas pela boca praticamente desprovida de dentes funcionais.
Esse uso como ferramenta de caça complementa o método de alimentação por sucção, típico da espécie. A presa pode servir como::
Dente canino modificado com 10 milhões de terminações nervosas, detectando salinidade, temperatura e pressão no gelo ártico.
Projeção espiralada usada para desferir golpes laterais rápidos, atordoando peixes velozes que são capturados por sucção.
Dimorfismo sexual focado em machos, atuando como indicador de status, rituais de força e seleção de parceiros.
Histórico cultural como “chifre de unicórnio” convertido hoje em métrica crucial para avaliar o impacto do degelo global.
A presa de narval funciona como um sensor do oceano?
Ensaios em laboratório mostram que a presa do narval reage a variações de salinidade, com reflexos na frequência cardíaca. Isso indica que o animal percebe diferenças entre água doce de degelo e água mais salgada, o que pode ajudar a localizar zonas ricas em alimento.
Há indícios de que o dente também responda a mudanças de temperatura, pressão e vibrações sutis. Em um ambiente escuro e coberto por gelo, esse “sensor dentário” complementa audição e ecolocalização, permitindo ao narval se orientar e explorar rotas de gelo em movimento.

Por que a presa de narval é mais comum em machos?
Quase só machos exibem a longa presa espiralada, enquanto fêmeas raramente desenvolvem um dente externo. Mesmo assim, elas se alimentam e criam filhotes normalmente, sugerindo que a função da presa envolve fortemente a reprodução e a interação social.
Machos já foram observados esfregando as presas entre si, em exibições que lembram testes de força ou status. Assim, o dente atua simultaneamente como ferramenta de caça, órgão sensorial e sinal sexual, possivelmente influenciando a escolha de parceiros e a hierarquia do grupo.
Qual a importância da presa de narval para os humanos e a conservação?
Por séculos, a presa de narval circulou em rotas de comércio como suposto “chifre de unicórnio”, associada a poderes contra venenos. Foi usada em tronos, cetros e objetos de prestígio, até que naturalistas esclareceram sua verdadeira origem biológica.
Hoje, o narval é visto como indicador das rápidas mudanças no Ártico, como retração do gelo, tráfego de navios e alteração em estoques de peixes. Entender a função da presa ajuda a avaliar a vulnerabilidade da espécie e a planejar estratégias de conservação para o “unicórnio do mar” e seu ambiente gelado.
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