Rodolfo Borges na Crusoé: A polícia da memória
Tostão protege Pelé da figura atormentada e titubeante retratada na série sobre a épica conquista do tricampeonato mundial pelo Brasil
A japonesa Yoko Ogawa conta em A Polícia da Memória (Estação Liberdade) a história de uma ilha onde as coisas desaparecem, deixam de existir progressivamente e são esquecidas pelos moradores.
Os perfumes perdem o cheiro e são descartados, os pássaros somem, ofícios são abandonados e substituídos por outros sem que os trabalhadores se importem com a mudança ou sequer percebam que algo mudou, e tudo aquilo que possa remeter ao que existiu um dia é apreendido pela polícia da memória, que também se encarrega de fazer sumir quem manteve a capacidade de lembrar.
A série Brasil 70: A Saga do Tri (foto) recuperou a história da conquista do tricampeonato mundial de futebol pela Seleção brasileira, em 1970, às vésperas de mais uma Copa do Mundo.
Apesar de aquela Seleção ter entrado para a história como um dos melhores times de todos os tempos, a preparação para o torneio mundial foi conturbada, com dúvidas sobre a condição física de Pelé e o improviso meio desesperado de um jornalista como treinador.
A aposta em João Saldanha como técnico acabou dando certo, mas sua militância política acabou o tirando do comando do time às vésperas da Copa, por desentendimentos com a ditadura militar.
É inevitável fazer o paralelo com a atual Seleção, que tem um craque desacreditado e se preparou no improviso, com o treinador do torneio chegando na reta final da preparação.
Pode dar errado, como nos últimos anos, ou pode dar certo, como em 2002, quando também se questionava muito o grupo de Luiz Felipe Scolari, que acabou ganhando o pentacampeonato.
A série da Netflix detalha tudo o que ocorreu em 1970 — ou quase tudo…
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