Rodrigo Prando na Crusoé: Soberania, violência e eleição
Lula enfrenta o mandato mais difícil de sua trajetória e, mesmo assim, é o próprio movimento bolsonarista que lhe joga no colo uma das melhores bandeiras
O Brasil terá, neste ano, mais um ciclo eleitoral. Votar de dois em dois anos demonstra a presença da democracia, ainda que não plenamente funcional.
Há muito se discutem os conceitos de polarização e calcificação, pois, novamente, os principais contendores — Lula e Flávio Bolsonaro — conjugam os elementos que os credenciam a um eventual segundo turno.
De um lado, o lulopetismo. De outro, o bolsonarismo.
São dois modelos ideológicos e também dois Brasis diferentes.
A escolha de Flávio pelo próprio Jair Bolsonaro, preterindo nomes da centro-direita com maior trânsito no mercado e no agronegócio, aprofunda essa calcificação. É nesse cenário que soberania e violência se apresentam como norteadores das narrativas eleitorais.
O terceiro mandato de Lula não foi igual aos primeiros. Ele encontrou enorme dificuldade em construir governabilidade, sobretudo pela má relação com o Congresso, já que o presidencialismo de coalizão passou pela cooptação, depois pela confrontação e, hoje, a quase uma submissão do Planalto a um Congresso arredio.
O combate à violência e à criminalidade é mal avaliado no governo Lula, e as pesquisas indicam com clareza esse quadro.
Flávio Bolsonaro traz discurso vigoroso no tema. Contudo, adversários o associam às milícias cariocas, por ligações em seu gabinete e condecorações a indivíduos ligados a facções.
Nesse espaço temático, ganham relevância as ações dos EUA.
Em poucos dias, episódios se conectaram: Flávio visitou Trump e afirmou ter pedido a classificação de Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas…
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