Crusoé: Quem decide a eleição
Intervenções do STF e do TSE deixam o eleitor em segundo plano. E mais: Autopromoção com dinheiro público e Entre o novo fujimorismo e o bolivarianismo tardio
A expectativa de que a eleição presidencial deste ano sofreria uma intervenção menor da Justiça Eleitoral do que o pleito de 2022 foi por água abaixo na segunda-feira, 8, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu outra porta para ampliar a tutela sobre os eleitores.
Sob a alegação de urgência, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu por decisão liminar uma pesquisa de intenção de voto divulgada três semanas antes, atendendo a pedido do PL, partido do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nunes Marques não tomou a decisão sozinho.
Antes de despachar a liminar, ele reeditou a portaria instituída em 2022 pelo então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que autorizou o chefe máximo da Justiça Eleitoral a atuar em casos ligados à propaganda eleitoral. Naquela época, a dupla para tutelar casos ligados à propaganda eleitoral era formada por Moraes e Cármen Lúcia.
O mesmo expediente foi adotado agora, mas com outra dupla: Nunes Marques e André Mendonça, que é vice-presidente do TSE. Os dois ministros responsáveis por conduzir o processo eleitoral deste ano foram indicados para o Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, dizem Rodolfo Borges e Wilson Lima em “Quem decide a eleição”, a matéria de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na reportagem “Autopromoção com dinheiro público”, Guilherme Resck conta que o uso da cota parlamentar bateu recorde em 2026, reforçando o debate sobre critérios mais rígidos em anos eleitorais.
Apenas nos cinco primeiros meses do ano, os deputados federais gastaram 40,09 milhões de reais da cota parlamentar para divulgação da atividade parlamentar, ou autopromoção. Os senadores gastaram 2,22 milhões de reais.
Na matéria “Entre o novo fujimorismo e o bolivarianismo tardio”, Duda Teixeira mostra como a eleição indefinida deixa os peruanos a um passo do autoritarismo.
Roberto Sánchez segue a mesma receita de Hugo Chávez, que foi eleito democraticamente e transformou a Venezuela em uma ditadura comandada por militares. Keiko Fujimori é filha de Alberto Fujimori, que deu um autogolpe em 1992.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem Maristela Basso (Por que o Brasil passou a confiar tão pouco no eleitor?), Letícia Barros (O milagre econômico e político dos Estados Unidos), Bruno Soller (Trump esquece que seu eleitor não vive em Teerã), Rodrigo Prando (Soberania, violência e eleição), Clarita Maia (O acerto de contas entre Brasil e EUA), Gustavo Nogy (Declínio e queda do identitarismo woke), Josias Teófilo (O embelezamento como projeto urbano), Dennys Xavier (O que a trégua olímpica nos ensina sobre a Copa?) e Rodolfo Borges (A polícia da memória).
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