Naruto contra Donald Trump
Fãs japoneses se mobilizam contra uso de animes nas redes do presidente americano; petição já tem mais de 20 mil assinaturas
Uma campanha online iniciada no Japão pressiona os detentores dos direitos autorais de mangás e animes a se manifestarem contra o uso dessas obras pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela Casa Branca em publicações nas redes sociais.
A petição, lançada em março, foi reaberta na terça-feira, 10, após Trump divulgar um vídeo na plataforma Truth Social em que aparece retratado como Naruto Uzumaki, protagonista da série homônima. A iniciativa já ultrapassou 20 mil assinaturas.
Valores culturais em jogo
Segundo o texto da petição, obras de mangá e anime carregam mensagens que transcendem o entretenimento: “Estas obras transmitem há anos a importância da coragem, da amizade e da perseverança a leitores e espectadores de todo o mundo”, afirma o documento.
Os organizadores argumentam que o emprego dessas imagens em contextos políticos ou militares pode contradizer as intenções originais dos criadores.
A campanha foi encaminhada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à Agência para os Assuntos Culturais do Japão. Os promotores descrevem a ação como um esforço “urgente” para que os titulares dos direitos tomem conhecimento das preocupações dos admiradores dessas produções dentro e fora do país.
Histórico de polêmicas
O vídeo com a imagem de Naruto não foi o primeiro episódio a gerar insatisfação.
De acordo com informações divulgadas pelos organizadores da petição, uma publicação da Casa Branca associou imagens de operações militares norte-americanas contra o Irã a referências à franquia de mangá e anime Yu-Gi-Oh!.
O material também teria incluído menções a personagens como Pikachu e Dragon Ball em conteúdos de caráter institucional.
As críticas se concentram em dois pontos: a incompatibilidade entre os valores transmitidos pelas obras e o contexto em que foram utilizadas, e possíveis violações de direitos autorais: “Muitos fãs ficam preocupados quando as imagens das obras parecem ser utilizadas em contextos políticos ou militares que podem divergir das intenções dos criadores originais ou dos detentores dos direitos”, registra a petição.
Até o fechamento desta reportagem, nem Trump, nem a Casa Branca, nem os detentores dos direitos das obras mencionadas haviam se pronunciado publicamente sobre as demandas apresentadas na campanha.
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