Governistas veem “tiro no pé” da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa
Segundo diferentes parlamentares, medida reforça assunto que já havia esfriado e vai na contramão de desejo da população
Parlamentares governistas apontam que a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu um tiro no próprio pé com o pedido de suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que indica que o filho de Jair Bolsonaro (PL) caiu seis pontos percentuais num eventual segundo turno com o presidente Lula (PT).
Entre os argumentos, está o de que, com o ministro Nunes Marques acatando o pedido, é reforçado no noticiário e nas redes sociais um assunto que já havia esfriado: a ligação de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Flávio acionou o TSE contra a pesquisa por entender que a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados.
A pesquisa exibiu o áudio de uma das mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro. A AtlasIntel afirma, porém, que o levantamento foi realizado “sem que o áudio objeto da controvérsia fosse reproduzido aos respondentes durante a aplicação do questionário”. “O questionário principal foi integralmente concluído e submetido antes de qualquer contato do participante com o conteúdo audiovisual. Não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados”, acrescentou.
Em sua decisão, Nunes Marques considerou que há suspeitas de indução ao eleitor, por causa da exibição do áudio. O magistrado determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, especialmente em relação ao uso do áudio.
Segundo ele, outras 27 pesquisas feitas pelo instituto não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada, e nem veicularam áudio para consulta.
Repercussão
Para o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), a suspensão “sem dúvida nenhuma é um tiro no pé” da pré-campanha de Flávio. “Porque a pesquisa refletiu o impacto daquilo que a apuração da Polícia Federal já vem demonstrando, que é o envolvimento da família Bolsonaro no esquema do Master, no financiamento do filme, e muitas coisas vão vir, inclusive, daí para a frente”, acrescentou, a O Antagonista, na segunda-feira, 8.
“Então, na medida em que se divulga uma pesquisa do impacto desse envolvimento da família Bolsonaro no caso Master e a pesquisa mostra isso, acaba, evidentemente, influenciando no eleitorado, em especial aqueles que podem estar de um lado ou do outro. Vai ser difícil, evidentemente, ele pedir para suspender todas as pesquisas daqui até outubro. Porque vão vir mais casos e isso vai ganhar principalmente o noticiário depois da Copa”.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) diz que a decisão de Nunes Marques se trata de “censura”. “Bolsonarista gosta tanto de falar em liberdade de expressão e agora recorre, como fez o Flávio Bolsonaro, a uma censura de uma apresentação de uma pesquisa. Aliás, de um instituto que toda vez e todo mês solta pesquisa, boas ou ruins, para um lado ou para o outro. Então, é um instituto grande”.
O petista prossegue: “Então, o que o Flávio Bolsonaro pediu foi censura. Aliás, ele está mestre para fazer isso. Entrou com duas ações contra mim, por dizer que ele está enrolado com a história de mansões. Eles passaram agora ao método de censura. É o desespero e também a contradição de quem diz querer liberdade de expressão, que não pode ter sequer controle de rede social, que tudo isso é censura. Entra numa de não permitir divulgação de pesquisa de um instituto renomado”.
O parlamentar também vê a medida como “um tiro no pé”, porque “todo mundo quer saber o resultado dessa pesquisa“. “Ela dá, no segundo turno, sete pontos de diferença do Lula para o Flávio Bolsonaro, que aliás acho que tinha outra pesquisa que já dava próximo disso. E é uma tendência de queda dele, que deve ser apontada em outros institutos”.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), por sua vez, se manifestou sobre o episódio no X na segunda. “Ao pedir censura em pesquisa da Atlas/Intel, Flávio Bolsonaro dá mais um tiro no pé. Traz de volta o tema do vazamento do áudio dele pedindo dinheiro ao Vorcaro e expõe o DNA dos ditadores da extrema-direita“, escreveu.
“É mais uma tentativa desesperada de jogar a sujeira para debaixo do tapete. Após várias versões contraditórias e desencontradas, Flávio quer se livrar de todo jeito das ligações dele com Vorcaro, mas não vai conseguir. A família Bolsonaro e Vorcaro são uma coisa só, estão enrolados até o pescoço em esquemas. Esse será um tema da campanha de 2026. Não adianta fugir, não adianta censurar. Flávio passará o ano tendo que explicar onde foi parar os 61 milhões”.
Já o deputado Alencar Santana (PT-SP) disse a à reportagem que “Flávio Bolsonaro teme a verdade, tem culpa no cartório e tenta esconder das pessoas”.
Em suas palavras, “essa ação para que a Justiça Eleitoral proíba de que se pesquise a opinião das pessoas sobre aquilo que ele tratou em áudio já publicado com Daniel Vorcaro demonstra o desespero e o tamanho do envolvimento dele com o ‘Bolsomaster’, aliás, dele e da família. Lamentavelmente a Justiça censura algo que deveria ainda mais divulgado, porque é de interesse público”.
Maria do Rosário (PT-RS) também criticou o pedido de Flávio ao TSE e a decisão de Nunes Marques. “O PL censurou a pesquisa Atlasintel em que Flávio Bolsonaro aparece cada vez com menor credibilidade, perdendo pontos em todos os setores”, disse a O Antagonista.
“A decisão sobre divulgar deve cair logo, mas principalmente: censurar não vai mudar resultado. Escândalo Vorcaro virou ‘Bolsomaster’ e o povo não confia”, acrescentou.
Para o líder do Psol na Câmara, Tarcísio Motta (RJ), o episódio só comprova como Flávio “está desesperado com o impacto do escândalo do Banco Master sobre os eleitores”. “A situação é tão grave que ele está até pedindo VAR pra anular pesquisa eleitoral, tudo pra abafar sua queda de popularidade”, complementou.
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Comentários (1)
Annie
09.06.2026 11:11Tirem esse homem logo da corrida eleitoral se não o Lula ganha.