A fórmula mágica de Bolsonaro
Como uma "plano mirabolante" antecipado pelo presidente atrapalhou a tramitação da reforma da Previdência.
A reforma da Previdência tramitava na Comissão Especial quando, em café da manhã com a bancada nordestina, Jair Bolsonaro comentou a respeito de um projeto que traria mais recursos ainda ao país.
Com todo respeito ao Paulo Guedes, a previsão de nós termos dinheiro em caixa é maior do que a Previdência em 10 anos, e ninguém vai reclamar desse projeto, com toda certeza. Jair Bolsonaro, presidente da RepúblicaDe acordo com o presidente da República, de tão maravilhosa, a ideia seria aprovada por unanimidade na Câmara Federal e no Senado. Edilazio Júnior testemunhou o encontro. Mas confessou não ter noção do que se tratava.
Ele falou como se fosse ter uma surpresa positiva. Na hora, o Onyx levantou as mãos para o céu, como se dissesse ‘amém’. Mas nem eu nem ninguém ali fazemos ideia do que seja. Edilazio Júnior, deputado fedeeral pelo PSDTambém no encontro, Júlio César explicou que não foi possível pedir maiores esclarecimentos ao presidente.
Ele foi a última pessoa a falar. Falou e saiu. E não dava para questionar o presidente. Júlio César, deputado federal pelo PSD– Rasteira na reforma Os assinantes do Antagonista+ fizeram suas apostas.
Vai legalizar a cannabis? Nelson Pfefer, um comentarista
Só se legalizar a corrupção e cobrar 27,5% de imposto de renda sobre os desvios. Alan Odebrecht, um comentarista
Lá vem a Niobras. Renato Vilhena, um comentaristaPerguntado se sabia do que se tratava o plano B do presidente, Marcelo Ramos ironizou.
Não sei nem se ele sabe, imagina eu. Marcelo Ramos, presidente da comissão especial da reforma da PrevidênciaO presidente da comissão especial percebeu que as palavras de Bolsonaro enfraqueciam a luta pela aprovação da reforma da Previdência. Afinal, por que se sacrificar por uma pauta tão desgastante se haveria uma alternativa que daria mais resultado?
Definitivamente, acho que ele é contra a reforma da Previdência. Isso não pode ser dito sem propósito. Mas não permitiremos que isso contamine a tramitação da proposta. Temos responsabilidade com o Brasil. Marcelo Ramos, presidente da comissão especial da reforma da Previdência– O plano mirabolante Os primeiros detalhes sobre o plano de Bolsonaro chegaram ao noticiário por Merval Pereira.
A ideia em estudo seria permitir, com o pagamento de uma taxa, a atualização do valor venal dos imóveis, o que reduziria o lucro imobiliário a ser pago no ato da venda. Merval PereiraA proposta chegou a Bolsonaro por Marcos Cintra, secretário da Receita Federal. Mas a cúpula do Ministério da Economia viu na fórmula “mais um plano mirabolante” para compensar toda a desidratação que a reforma da Previdência há de sofrer. – Drible no Posto Ipiranga Na campanha, Bolsonaro prometia terceirizar a Guedes qualquer grande decisão econômica. No governo, o presidente tem se antecipado ao ministro – “com todo o respeito“. Jerônimo Goergen comentou o drible presidencial.
Estatizaram o Posto Ipiranga. Fica difícil avançar quando as opiniões de quem governa são tão diferentes. Jerônimo Goergen, deputado federal pelo PPO presidente da Câmara não gostou.
Uma receita extraordinária não vai resolver o problema do déficit estrutural. Então isso pode resolver problema do governo de 2019, 2020, mas não vai resolver o problema estrutural do déficit da Previdência, que é crescente. Rodrigo Maia, deputado federal pelo DEMNem o vice-presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência.
Aumentar impostos é o pior remédio para combater a crise econômica e o déficit público. O presidente precisa avançar nas reformas da Previdência e tributária e no novo pacto federativo. O governo precisa gastar suas energias priorizando essa agenda. Silvio Costa Filho, deputado federal pelo PRBMas nenhuma reação teria sido tão espontânea quanto a do líder do Novo na Câmara.
Como pode falar tanta merda? Marcel van Hattem, deputado federal pelo NovoContudo, em contato com O Antagonista, Marcel van Hattem negou que tenha dado a declaração publicada pelo Globo. – Análise O Antagonista viu na “fórmula mágica” de Bolsonaro um novo tiro no pé. E analisou em uma nota editorial.
Além de não prever restituição do valor caso o imóvel se desvalorize, o mercado sabe que metade da valorização desses ativos no Brasil é mero ajuste inflacionário. Ou seja, seria uma espécie de confisco patrimonial – que na prática já existe quando você vende a casa que recebeu de herança de seus avós. Se for isso mesmo, é um impostinho bem comunistinha. O AntagonistaEm primeira mão aos assinantes de O Antagonista+, Ramos garantiu que a reforma da Previdência continuará sendo prioridade – apesar do Governo.
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