Adeus ao lixo plástico: um jovem de 29 anos do Quênia criou uma solução genial para transformar o plástico em tijolos mais resistentes que concreto
Jovem transforma plástico em tijolos mais resistentes que concreto
A engenheira Nzambi Matee, do Quênia, desenvolveu uma tecnologia capaz de transformar resíduos plásticos descartados em blocos de pavimentação mais resistentes do que o concreto tradicional. Sua empresa, a Gjenge Makers, que em suaíli significa “construa você mesmo”, já produziu mais de 200.000 kg de tijolos a partir de plástico reciclado e foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Como surgiu a ideia de transformar plástico em tijolo?
Nzambi Matee cresceu perto do aterro de Dandora, em Nairóbi, um dos maiores depósitos de lixo da África Oriental. Depois de trabalhar como engenheira na indústria de petróleo e como analista de dados, ela largou o emprego estável em 2017 convicta de que o plástico descartado era, antes de tudo, um recurso mal aproveitado. Montou um pequeno laboratório no quintal da mãe e passou quase um ano testando diferentes combinações de plástico e areia até chegar ao produto certo.
Em 2018, fundou a Gjenge Makers e, no ano seguinte, projetou e construiu ela mesma uma máquina capaz de reproduzir o processo em escala industrial. A iniciativa saiu do quintal e se tornou uma fábrica ativa no setor industrial de Nairóbi, com pedidos que hoje superam a capacidade de produção diária.
Quem se interessa por sustentabilidade e inovação, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Blemya, que conta com mais de 70 visualizações, onde Nzambi Matee mostra a fabricação de tijolos sustentáveis feitos de resíduos plásticos em Nairóbi:
Quais são os números que mostram o impacto da Gjenge Makers?
A empresa combina resultados ambientais e sociais num mesmo negócio. Os pontos principais são:
Como funciona o processo de transformar plástico em tijolo?
O processo começa com a coleta de plástico descartado em indústrias de embalagem, aterros e rios de Nairóbi. O material é triado para remover traços de metal e entulho, depois triturado e aquecido até formar uma massa moldável. Essa mistura é combinada com areia em proporções testadas por Nzambi Matee nos laboratórios de materiais da Universidade do Colorado Boulder, durante uma bolsa de treinamento em empreendedorismo social nos Estados Unidos.
A massa resultante é despejada em moldes e prensada até adquirir forma e resistência. A máquina que realiza todo esse processo foi projetada e construída pela própria Nzambi Matee, o que permitiu reduzir custos e adaptar o equipamento às condições locais de Nairóbi. Os blocos saem em diferentes versões, da mais simples para uso residencial à mais densa para vias e áreas industriais, todas certificadas pelo órgão de padrões do Quênia.

Onde os tijolos já estão sendo usados?
Os blocos da Gjenge Makers já revestem calçadas, driveways e áreas de acesso no centro comercial de Nairóbi, além de passagens em escolas e projetos de habitação popular. Um exemplo concreto foi o Projeto de Desenvolvimento de Mukuru Slums, onde os blocos convencionais não resistiam às chuvas e a lama tomava as passagens. Os tijolos de plástico reciclado resolveram o problema com durabilidade que os materiais anteriores não conseguiram oferecer.
Como a Gjenge Makers se compara com alternativas tradicionais de construção?
A tabela abaixo resume as diferenças entre os tijolos da Gjenge Makers e os materiais convencionais usados em pavimentação:
| Característica | Concreto convencional | Tijolo Gjenge Makers |
|---|---|---|
| Resistência à compressão Capacidade de suportar peso | Padrão de referência | Até 2x maior |
| Matéria-prima Origem do material | Cimento, areia, brita | Plástico reciclado + areia |
| Custo de manutenção Durabilidade em uso | Maior, com trincas frequentes | Menor, alta durabilidade |
O que o reconhecimento da ONU representa para esse tipo de iniciativa?
Em 2020, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente nomeou Nzambi Matee uma das Jovens Campeãs da Terra, prêmio que reconhece líderes ambientais com iniciativas de impacto real. Junto ao título vieram financiamento e mentoria para ampliar a operação. Para a UNEP, o trabalho da Gjenge Makers ilustra a diferença entre uma economia linear, onde o produto é usado e descartado, e uma economia circular, onde o material continua em uso pelo maior tempo possível.
O modelo tem aplicação bem além do Quênia: cidades que geram centenas de toneladas de plástico por dia, como Nairóbi com suas estimadas 500 toneladas diárias, têm a matéria-prima disponível gratuitamente nos aterros e rios. O que a Gjenge Makers prova é que transformar esse passivo ambiental em material de construção acessível não é utopia, é engenharia aplicada com financiamento possível e demanda real.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)