O crocodilo mais velho do mundo tem 125 anos, pesa 750 kg e ainda não parou de crescer
O réptil mais longevo do mundo tem 125 anos e 750 kg e continua em expansão
Um crocodilo do Nilo chamado Henry nasceu por volta de 1900 nos pântanos do delta do Okavango, em Botsuana, e hoje vive no Centro de Conservação CrocWorld, na África do Sul. Com 125 anos, 5 metros de comprimento e 750 kg, ele é o crocodilo cativo mais velho do mundo e o corpo ainda não deu o menor sinal de parar de crescer.
Como Henry chegou até o CrocWorld e por que ele ainda está vivo?
Em 1903, o crocodilo já era temido pelos moradores locais em Botsuana, atacando gado e, segundo registros da época, chegando a atacar pessoas. Um caçador e naturalista inglês foi enviado para eliminá-lo, mas optou por capturá-lo vivo. O animal herdou o nome do próprio caçador e passou décadas aos cuidados de moradores locais antes de ser transferido para o CrocWorld, na província de KwaZulu-Natal, em 1985.
A vida em cativeiro fez toda a diferença. Com alimentação garantida, sem predadores e sem competição por território, Henry pôde crescer até o limite físico da espécie, algo que raramente acontece na natureza, onde a maioria dos crocodilos do Nilo morre antes dos 70 anos.

Quais são os números que mostram o tamanho de Henry?
A diferença entre Henry e um crocodilo comum aparece logo na comparação de dados. Os pontos principais são:
Por que crocodilos envelhecem de um jeito tão diferente dos outros animais?
A ciência tem um nome para o que acontece com Henry: senescência negligível, que significa, em termos simples, que o corpo do animal praticamente não dá sinais de desgaste com o passar do tempo. Ossos continuam se espessando, músculos mantêm a função e o sistema imunológico permanece forte mesmo depois de décadas. Esse fenômeno já foi documentado em répteis como o crocodilo do Nilo, a tartaruga-do-deserto e alguns lagartos, todos com taxas de envelhecimento muito mais lentas do que as de mamíferos.
Uma pesquisa publicada na revista Heliyon, vinculada à base PubMed, aponta que o conjunto de bactérias no intestino dos crocodilos pode ser uma peça central nessa história. Esses micro-organismos produzem substâncias com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias, ajudam o animal a combater infecções mesmo em água suja cheia de bactérias, e parecem ainda contribuir para bloquear células cancerígenas e desacelerar o processo de envelhecimento celular.
Quem tem curiosidade sobre a vida selvagem, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Wild Charles, que conta com mais de 204 mil visualizações, onde Charles mostra o impressionante crocodilo de 124 anos chamado Henry no parque Crocworld na África do Sul:
Como o CrocWorld compara Henry com um crocodilo comum?
Para entender o que torna Henry tão fora do padrão, basta olhar a diferença entre ele e um crocodilo do Nilo médio ao longo de algumas dimensões:
| Característica | Crocodilo comum | Henry |
|---|---|---|
| Comprimento médio Adulto na natureza | Até 4,5 metros | 5 metros |
| Peso médio Adulto na natureza | 400 a 450 kg | 750 kg |
| Expectativa de vida Em condição selvagem | Até 70 anos | 125 anos e contando |
Do que os crocodilos morrem se não é da velhice?
Como o corpo cresce sem parar ao longo de toda a vida, os crocodilos precisam caçar cada vez mais para sustentar uma massa muscular maior. Com o tempo, o animal pode simplesmente não conseguir capturar alimento suficiente e morrer de fome. A perda dos dentes na velhice também tira a capacidade de caçar, o que leva ao mesmo desfecho. Em cativeiro, problemas como esses desaparecem: a alimentação é garantida, os dentes são monitorados e não há rivais.
É exatamente por isso que Henry chegou até aqui. Fora do CrocWorld, um animal do tamanho e da idade dele provavelmente não existiria. Mas dentro do centro, ele se tornou uma janela viva para entender como répteis que habitam a Terra há mais de 200 milhões de anos conseguem resistir ao tempo de um jeito que a ciência ainda não compreendeu por completo.
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