O rival do McDonald’s que já foi a maior rede de fast food do mundo, fechou mais de 729 restaurantes e continua em declínio
De número 1 do planeta a 729 portas fechadas
O Subway encerrou mais 729 lojas nos Estados Unidos em 2025, completando dez anos seguidos de queda no país e reduzindo sua rede americana a 18.773 unidades. A marca que chegou a ter mais de 27 mil restaurantes americanos em 2015 perdeu quase um terço desse total, e o declínio ainda não deu sinais claros de reversão.
Como o Subway chegou ao topo e quando começou a cair?
O Subway foi fundado em 1965 por Fred DeLuca em Bridgeport, Connecticut, e cresceu apostando em um modelo simples: sanduíches montados na hora, com preço mais baixo e proposta mais saudável do que os hambúrgueres dos concorrentes. Em 2002, já superava o McDonald’s em número de lojas nos Estados Unidos, e em 2011 tornou-se a maior rede de fast food do mundo em número de unidades.
O pico foi em 2015, com mais de 27.000 restaurantes só nos EUA. A partir de 2016, o movimento inverteu. Naquele ano, fecharam 357 lojas líquidas, e a queda acelerou nos anos seguintes, com o pior resultado em 2020, quando a pandemia contribuiu para o fechamento de 1.601 unidades em um único ano.

Quais são os motivos que explicam o fechamento das lojas?
Os analistas apontam causas que se acumularam ao longo de anos. A expansão rápida demais criou lojas em pontos parecidos, reduzindo as vendas das unidades vizinhas e tornando a operação inviável para muitos franqueados. A proposta de ser a opção saudável do fast food ficou menos diferenciada quando redes como Chipotle e Jersey Mike’s chegaram ao mercado com qualidade mais alta, ainda que com preços maiores.
Os principais fatores do declínio, segundo análise da QSR Magazine e do editor Jonathan Maze da Nation’s Restaurant News, são:
Quantas lojas o Subway fechou ao longo dos anos?
Entre 2016 e 2025 a rede perdeu líquidos 8.345 restaurantes só nos Estados Unidos, um número que, sozinho, estaria entre as cinco maiores redes de fast food do país. Segundo a QSR Magazine, publicação especializada no setor, a empresa chama esse movimento de “ajuste de tamanho” da rede, priorizando lojas mais rentáveis em vez de volume.
A tabela abaixo mostra os fechamentos líquidos nos EUA ano a ano:
| Ano | Fechamentos líquidos (EUA) | Contexto |
|---|---|---|
2016 |
357 | Início do declínio |
2017 |
866 | Aceleração |
2018 |
1.108 | Pior ano até então |
2019 |
996 | Queda mantida |
2020 |
1.601 | Pior ano da série |
2021 |
1.043 | Pós-pandemia |
2022 |
571 | Desaceleração |
2023 |
443 | Menor queda desde 2016 |
2024 |
631 | Piora após alívio |
2025 |
729 | 10º ano de queda |
Como o Subway se comporta no Brasil e no mundo?
Fora dos Estados Unidos, o cenário é diferente. A rede tem mais de 35.000 unidades globais e abriu mais de 1.000 lojas em outros países ao longo de 2025, com acordos de franquia mestra em mais de 30 países. No Brasil, o Subway tem cerca de 1.559 lojas, sendo o quinto maior mercado da rede no mundo, segundo o World Population Review.
A operação brasileira passou por turbulência própria: a franqueadora SouthRock Capital entrou em recuperação judicial em 2024 após acumular dívidas e perda de vendas, e a matriz retomou o controle direto da rede no país. Desde então, sob gestão da Zamp, as vendas por loja cresceram 30% em 2025, segundo a revista Exame, mas o saldo de abertura de lojas ainda é negativo.
O que o McDonald’s está fazendo de diferente?
Enquanto o Subway encolhe nos EUA, o McDonald’s segue em expansão global com meta de atingir 50.000 restaurantes até 2027. A estratégia é baseada em padronização rigorosa e em um modelo que o próprio fundador Ray Kroc descreveu como construído para gerar clientes recorrentes pela reputação do sistema, e não pela qualidade de uma loja isolada — princípio que ele registrou no livro Grinding It Out: The Making of McDonald’s. Esse controle sobre a experiência em escala é exatamente o ponto onde o modelo de franquia do Subway tropeçou.
O Subway ainda tem futuro como maior rede do mundo?
A empresa foi comprada pelo fundo Roark Capital em uma transação de US$ 9,55 bilhões concluída em 2024, o que sinalizou aposta na recuperação da marca. Internacionalmente, a rede cresce, e o ajuste nos EUA é descrito pela própria empresa como redução planejada, não como sinal de colapso. O Subway ainda tem mais lojas nos Estados Unidos do que qualquer outra rede, mas a liderança pelo volume de unidades não garante lucratividade, como a própria trajetória da marca demonstra.
A pergunta relevante para os próximos anos não é quantas lojas fecham, mas se as que ficam vão ser mais rentáveis do que as que existiam no pico de 2015. Essa resposta ainda está em aberto, e o mercado de fast food, com McDonald’s, Chipotle e Jersey Mike’s todos crescendo, vai continuar pressionando.
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