Funcionário recebe R$ 943 mil por erro da empresa e pede demissão em seguida
O erro de salário milionário que parou na Justiça
Imagine receber 330 salários de uma vez por engano. Foi o que viveu um funcionário da empresa chilena Cial, num caso de erro de salário milionário que correu na Justiça por três anos. Ele recebeu, não devolveu, pediu demissão e, no fim, foi absolvido pelos tribunais do Chile.
O que aconteceu nesse erro de pagamento?
Em maio de 2022, um assistente de expedição da Cial, dona de marcas de frios como San Jorge e La Preferida, ganhava cerca de 500 mil pesos chilenos por mês. Na folha daquele mês, porém, caiu na conta dele um valor muito maior do que o combinado.
O depósito foi de 165.398.851 pesos chilenos, algo em torno de 174 mil dólares, ou perto de 950 mil reais. A empresa percebeu a falha e avisou o funcionário de que aquele dinheiro não era dele.

Quanto é esse valor de verdade?
Aqui vale um alerta que muitas manchetes erram. O cifrão usado no Chile indica peso chileno, não dólar, então não se trata de 165 milhões de dólares. Confundir as duas moedas infla o valor em cerca de mil vezes.
Para deixar claro o tamanho real da quantia, veja a comparação:
Por que o funcionário foi absolvido?
Avisado do erro, o homem teria prometido ir ao banco devolver o dinheiro, mas sumiu. Quase um mês depois, reapareceu por meio de um advogado, apenas para entregar a carta de demissão voluntária, sem restituir o valor.
Mesmo assim, em setembro de 2025, o 1º Juzgado de Garantía de Santiago absolveu o ex-funcionário. A linha do tempo do caso ajuda a entender:
- Maio de 2022: o depósito errado cai na conta
- Junho de 2022: ele renuncia e não devolve
- Setembro de 2025: a Justiça o absolve
O que disseram os dois lados?
O advogado de defesa, Alejandro Díaz, sustentou desde o início que, embora a conduta pudesse ser questionada do ponto de vista ético, não havia crime do ponto de vista jurídico. Já a Cial classificou a sentença de incorreta e prometeu recorrer.
Como terminou a disputa na Justiça?
A Cial apresentou um recurso de nulidade à Corte de Apelações de Santiago, pedindo que o homem fosse condenado por furto de achado, com pena e multa. A empresa argumentou que ele se apropriou de propósito de um dinheiro que sabia não ser seu.
Em dezembro de 2025, porém, a Corte rejeitou o recurso, mantendo a absolução. Vale lembrar que este texto é informativo e não orienta condutas: situações de recebimento de valores indevidos variam conforme o país e a lei local. Você devolveria na hora ou também acharia a situação confusa?
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