A Finlândia escava cavernas a 100 metros de profundidade para guardar água a 140 °C e aquecer cidades
Finlândia usa cavernas a 100 metros com água a 140 °C para aquecer cidades
E se desse para guardar água a 140 °C dentro de cavernas de água quente para aquecer uma cidade no inverno? É o que a Finlândia faz em Vantaa, com o projeto Varanto: três cavernas a 100 metros de profundidade que funcionam como uma gigantesca bateria de calor, sem queimar combustível fóssil.
Por que a Finlândia resolveu guardar calor no subsolo?
O projeto resolve um problema das estações: no verão, as fontes limpas e as indústrias da região geram muito mais calor do que a população consegue usar. Sem onde guardar, essa sobra valiosa simplesmente se perderia no ar, todo ano.
A ideia é estocar esse excedente para o inverno, quando a demanda dispara. A tecnologia, chamada de armazenamento sazonal de calor, usa cavernas cavadas na rocha no lugar dos tanques de metal, o que sai mais barato e dura muito mais.

Que tamanho têm essas cavernas de água quente?
A obra avança no leito de rocha de Kuusikonmäki, em Vantaa, a quarta maior cidade do país e vizinha da capital Helsinque. O espaço para abrigar a água superaquecida é enorme e exige escavação pesada na pedra.
Cada uma das três cavernas tem proporções fora do comum. Os números principais são:
Como a água não ferve mesmo a 140 °C?
Lá em cima, no ar livre, a água ferve e vira vapor aos 100 °C. Então como manter mais de um milhão de metros cúbicos no estado líquido chegando a 140 °C? A resposta está na pressão e na profundidade da rocha.
As paredes grossas de pedra, junto com sistemas de pressurização e o próprio peso da água a 100 metros, criam um ambiente totalmente fechado. Esse aumento de pressão eleva o ponto em que a água ferve, então ela aguenta mais calor sem virar vapor.
- Pressão alta no fundo: segura a água quente em forma líquida;
- Rocha sólida em volta: isola o calor e veda o sistema;
- Mesmo princípio da panela de pressão, só que em escala gigante.
De onde vem todo esse calor?
O calor chega de várias fontes limpas: caldeiras elétricas movidas por energia solar e eólica barata do verão, calor que sobra de fábricas, energia geotérmica do solo e o calor do tratamento de lixo. Tudo isso usa princípios de guardar energia em forma de calor.
Quem tem interesse em inovação e transição energética, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal VantaanEnergia, onde é apresentado o projeto do Varanto, o maior armazenamento subterrâneo de energia térmica do mundo em Vantaa:
Quanta energia e quanto trabalho o Varanto movimenta?
Na hora de devolver o calor à cidade no inverno, o sistema entrega 200 MW à rede. Os 90 GWh de calor guardados, se virassem eletricidade, dariam para carregar as baterias de cerca de 1,3 milhão de carros elétricos, segundo dados da empresa responsável.
A obra também mexe com a economia local. A escavação foi assumida pela YIT Infra após concorrência pública, deve durar quase três anos e gerar perto de 800 empregos diretos e indiretos. Veja o resumo do projeto:
| Item | Número | O que representa |
|---|---|---|
|
Temperatura da água
No fundo das cavernas
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140 °C | Superaquecida |
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Potência na rede
No inverno
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200 MW | Aquece a cidade |
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Calor guardado
Capacidade total
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90 GWh | Reserva enorme |
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Conclusão prevista
Início da operação
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2030 | Em obras |
O que o projeto muda para o futuro da energia limpa?
A previsão oficial é que as cavernas fiquem prontas por volta de 2030, livrando a cidade da dependência de combustível fóssil para o aquecimento no inverno. Mais do que economia, é um modelo de como guardar energia limpa em larga escala, segundo a empresa que toca o Varanto.
Se der certo, outras cidades de clima frio podem copiar a ideia, transformando rocha e água em uma bateria barata e durável. E você, acha que dá para imaginar algo parecido por aqui?
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