Expedição em região isolada de Angola encontra aranha que brilha em azul, grilo que expele fluido e dezenas de espécies desconhecidas

25.06.2026

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Expedição em região isolada de Angola encontra aranha que brilha em azul, grilo que expele fluido e dezenas de espécies desconhecidas

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 07.06.2026 05:53 comentários
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Expedição em região isolada de Angola encontra aranha que brilha em azul, grilo que expele fluido e dezenas de espécies desconhecidas

O planalto de Lisima concentra nascentes vitais, habitats raros e espécies vulneráveis ameaçadas por mineração, fogo e desmatamento.

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Expedição em região isolada de Angola encontra aranha que brilha em azul, grilo que expele fluido e dezenas de espécies desconhecidas
Expedição científica mapeia biodiversidade isolada em área remota de Angola.

Uma aranha que brilha em azul sob luz ultravioleta. Um grilo que expele fluido para se defender. Uma borboleta e sua lagarta até então invisíveis para a ciência. No interior de Angola, uma expedição revelou um mundo inteiro que o planeta ainda não conhecia, e o que foi encontrado vai muito além do que qualquer um esperava.

O que os cientistas encontraram no planalto de Lisima

Em fevereiro de 2026, uma equipe de 16 especialistas africanos e internacionais percorreu o remoto planalto de Lisima, em Angola, em uma expedição batizada de Atlas da Vida Cassai, conduzida pela organização The Wilderness Project. O objetivo era retratar com detalhes uma região descrita pelos próprios organizadores como “um dos últimos grandes pontos cegos de biodiversidade da África”.

O levantamento registrou 103 espécies de libélulas e libelinhas. Entre elas, oito ainda não tinham sido descritas pela ciência. A expedição também encontrou oito novas espécies de mariposas e ao menos três de gafanhotos, esperanças e grilos desconhecidos, com a expectativa de que mais sejam identificadas conforme os especialistas analisam os espécimes coletados.

Cientistas registraram dezenas de novas espécies de insetos no planalto – Crédito: Nicky Bay/The Wilderness Project

Quais são as espécies mais impressionantes descobertas na região

Entre as dezenas de espécies potencialmente inéditas, algumas se destacam pela aparência e pelo comportamento incomuns. O líder da expedição, Rob Taylor, descreveu os grilos blindados como criaturas de “aparência muito feroz” que, como mecanismo de defesa, podem expelir um fluido sobre quem tentar atacá-los. As descobertas cobrem grupos variados e surpreendentes:

  • Uma aranha-caranguejo-coroada que brilha em azul intenso sob luz ultravioleta, por razões ainda desconhecidas pelos cientistas
  • Uma aranha tecelã de teia orbicular semelhante à joaninha, que imita a aparência do besouro tóxico para afastar predadores
  • Uma lagarta de cobre e sua borboleta adulta, ambas inéditas para a ciência
  • Uma nova espécie de aranha com coloração laranja-sangue
  • Um grilo blindado capaz de expelir sangue ou hemolinfa como defesa contra predadores

Leia também: Quanto custa trocar a caixa d’água e por que o acesso ao telhado pode valer mais que o próprio reservatório?

Como foi enfrentar lama, malária e falhas mecânicas durante a expedição

A equipe escolheu deliberadamente trabalhar no auge da estação chuvosa, uma decisão que trouxe desafios severos. Em e-mail enviado à CNN, Taylor afirmou que o comboio ficou completamente atolado na lama por dias inteiros em mais de uma ocasião. “Do ponto de vista logístico, foi extremamente difícil”, relatou. “Também tivemos problemas com o motor de arranque, falhas no alternador, pastilhas de freio gastas e vários casos de malária na equipe”.

Mesmo diante dos atrasos, os cientistas aproveitaram cada parada para explorar os arredores. Sempre que o comboio ficava preso, os pesquisadores examinavam os dambos, campos alagados sazonalmente, além de florestas pantanosas e zonas úmidas próximas. A publicação completa dos resultados pode levar meses ou até anos.

Pesquisadores enfrentaram lamaçal e malária para coletar amostras na floresta – Crédito: Nicky Bay/The Wilderness Project

Por que a biodiversidade de Lisima está em risco

Apesar da riqueza descoberta, o planalto enfrenta ameaças concretas. Taylor alertou que a região está pressionada pelo desmatamento, pela exploração artesanal de diamantes e pela agricultura de corte e queima, que destrói florestas e esgota os nutrientes do solo. As espécies mais vulneráveis são aquelas com distribuições restritas ou que dependem de habitats muito específicos.

Libélulas, por exemplo, são sensíveis a alterações na qualidade da água doce causadas pela mineração. Certas borboletas precisam de plantas hospedeiras específicas que podem desaparecer por conta de incêndios ou do desmatamento. Em resposta, o The Wilderness Project usa as descobertas para pressionar pelo reconhecimento formal da área como zona de conservação. Em 2025, a organização conseguiu que 5,4 milhões de hectares do planalto fossem reconhecidos como área protegida, e em outubro do mesmo ano a organização Ramsar nomeou Lisima como zona úmida de importância internacional.

Por que esta descoberta importa para o futuro do planeta

O planalto de Lisima alimenta as nascentes de quatro grandes sistemas fluviais: o Congo, o Okavango, o Zambeze e o Cuanza. Uma geografia praticamente intransponível e uma guerra civil de 27 anos, encerrada em 2002, mantiveram a região isolada por décadas. Os mesmos obstáculos que bloquearam cientistas também protegeram a natureza local. Minas remanescentes do conflito ainda dificultam o acesso à área.

Como disse Rob Taylor, “o objetivo não é simplesmente documentar novas espécies descobertas na África, mas garantir que os habitats dos quais elas dependem permaneçam intactos”. Cada espécie encontrada no planalto é um argumento vivo pela preservação. Ignorar esse alerta não seria apenas um erro científico, seria uma perda irreversível para toda a humanidade.

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