Como é viver no vilarejo mineiro a 1.300 metros de altitude com paz e tranquilidade ao lado de 14 cachoeiras em 6 km
O refúgio mineiro onde as águas e a serra se encontram
O frio desce cedo sobre as casinhas coloridas e as ruas de pedra de Lavras Novas, distrito de Ouro Preto encravado a cerca de 1.300 metros de altitude na Serra do Espinhaço. O vilarejo nasceu no ciclo do ouro, ficou isolado por gerações nas montanhas de Minas Gerais e hoje vive de um turismo que cresceu sem apagar seu ar de cidade parada no tempo.
O nome que entrega a origem no ouro
A história começa nas lavras, as antigas jazidas de ouro. Segundo a Prefeitura de Ouro Preto, o distrito recebeu esse nome justamente por ter lavras descobertas depois das de arraiais mais antigos da região, como São Bartolomeu e Antônio Pereira. A ocupação remonta ao período de expansão da mineração nos arredores da antiga Vila Rica.
Com o esgotamento do ouro e a mudança da capital mineira para Belo Horizonte, a vila ficou esquecida entre os morros, e foi esse isolamento que preservou o traçado colonial até hoje. Só a partir dos anos 1990 os turistas começaram a redescobrir o lugar, e relatos locais contam que a energia elétrica chegou apenas na década de 1970, o que ajuda a explicar por que o tempo parece correr mais devagar por ali.

Uma devoção rara guardada na capela do largo
No centro do distrito, a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres guarda uma curiosidade religiosa. A devoção à santa é considerada incomum em Minas Gerais, segundo a Prefeitura de Ouro Preto, e foi em torno dessa capela, erguida em 1762, que nasceu o arruamento típico das primeiras vilas mineiras.
Em frente à igreja está o cruzeiro de pedra que ornamenta o largo, símbolo da fé dos primeiros moradores. A tradição oral guarda ainda outra história: a de que o povoado teria surgido como um quilombo, já que a maior parte da população é negra. A própria Prefeitura registra a lenda, mas pondera que não há comprovação histórica formal dessa origem.
A tirolesa no ponto mais alto do país
A maior atração de aventura fica logo na entrada da vila. A Mega Tirolesa é apontada como a tirolesa no ponto mais alto do Brasil, instalada a cerca de 1.500 metros de altitude, na chamada Serrinha de Lavras Novas. Inaugurada em março de 2020, tem 400 metros de extensão.
A descida dura cerca de 50 segundos e chega a 50 km/h, rápida o bastante para exigir um pequeno paraquedas como redutor de velocidade, conforme a operadora local. Do alto, o visitante vê todo o distrito espalhado entre as montanhas. É uma cena que resume o contraste do lugar: adrenalina moderna em cima de um vilarejo que demorou séculos para receber luz elétrica.
As cachoeiras que cercam o vilarejo
A serra ao redor esconde dezenas de quedas d’água, e algumas estão a poucos minutos do centro a pé. A Prefeitura de Ouro Preto lista entre as mais visitadas a Cachoeira dos Namorados, a Cachoeira dos Três Pingos, a Cachoeira do Falcão e a Represa do Custódio, esta última dentro do Parque Estadual do Itacolomi.
Os três pingos formam quedas em sequência com poço raso, boas para famílias, enquanto o Falcão se esconde entre paredões rochosos e recompensa quem encara a trilha mais fechada. Há ainda os roteiros de rapel, trekking e cavalgada que complementam o passeio. Não por acaso, Lavras Novas é tratada pela própria Prefeitura como um distrito de forte vocação para o turismo de natureza.
Como é a rotina de quem mora nas montanhas
A vida no alto da serra é marcada pelo frio quase constante e por um cotidiano que gira em torno do turismo. Boa parte dos moradores trabalha em pousadas, restaurantes, trilhas e no artesanato, e o vilarejo mantém pequenas oficinas e tradições manuais passadas entre gerações.
Nos fins de semana e feriados, o sossego dá lugar a bares com música ao vivo e ao movimento de visitantes que sobem a serra em busca de descanso. Quando eles vão embora, o silêncio retorna de madrugada, e o céu estrelado aparece com força graças à baixa iluminação artificial. É essa alternância entre cheio e vazio que define o ritmo de quem escolheu morar em Lavras Novas.
Quem deseja conhecer a vida pacata e o charme de um vilarejo histórico, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, que conta com mais de 57 mil visualizações, onde Matheus Boa Sorte mostra o artesanato, a cultura e o cotidiano acolhedor de Lavras Novas/MG:
Vale a pena conhecer de perto
Lavras Novas reúne o que poucos lugares conseguem juntar: passado colonial, devoção rara, cachoeiras escondidas e uma tirolesa fincada no ponto mais alto do país. Tudo isso num vilarejo que demorou a receber energia e, por isso, guardou intacto o seu charme.
Você precisa subir a serra e conhecer Lavras Novas para sentir o que é viver onde o tempo anda mais devagar.
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