Roberto Ellery na Crusoé: Novo impasse na gasolina
Subsídios incentivam o uso de combustíveis fósseis exatamente quando a indústria automobilística mundial migra para os elétricos
Marco Antonio Martins é uma lenda entre economistas de Brasília, ao menos entre os que, como eu, já passaram dos cinquenta.
Ainda nos anos 1970, fez doutorado em Chicago, orientado por Robert Lucas, e publicou um artigo da tese no prestigiado Journal of Political Economy em 1980.
De volta ao Brasil, em vez de seguir na academia, construiu carreira no Ipea e no Senado, sem jamais abandonar a pesquisa nem os debates econômicos centrais do país.
Uma das polêmicas mais marcantes em que se envolveu dizia respeito à interferência governamental nos preços de derivados de petróleo.
Para proteger consumidores e empresas dos choques internacionais, o governo segurava os preços internos. A crítica a essa política está no ensaio Impasse, publicado pelo Ipea em 1980. Nele, Marco Antonio Martins afirmava:
“Os custos de importação e de refino dos derivados de petróleo devem ser inteiramente repassados para seus consumidores, em termos reais. Todos os subsídios devem ser eliminados, inclusive aqueles concedidos através do sistema tributário.”
Em 2013, ainda no governo Dilma, voltei ao tema no meu antigo blog. A Petrobras novamente era impedida de repassar a alta internacional do petróleo. Marco Martins entrou em contato, enviou comentários por escrito, que publiquei. Aqui, destaco um trecho:
“Quando escrevi o texto, pensava que tudo se tratava de um grande erro de política econômica. Mas…
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