Márcio Coimbra na Crusoé: O doping comercial chinês
Segundo relatório da OCDE, quase 60% dos ganhos de participação de mercado global das empresas chinesas decorrem desses subsídios
O debate sobre a equidade no comércio internacional ganhou um poderoso arcabouço técnico.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou recentemente um relatório alarmante baseado em sua base de dados MAGIC (Manufacturing Groups and Industrial Corporations).
O documento expõe a escala e a opacidade dos subsídios industriais da China, consolidando o argumento de que Pequim opera uma máquina de concorrência desleal.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, comparou a prática ao doping no esporte: jogadores menos produtivos vencem de forma injusta às custas de rivais mais eficientes e inovadores.
Os números da OCDE revelam uma disparidade sem precedentes.
Somente em 2024, os subsídios nos 15 principais setores industriais atingiram 108 bilhões de dólares (cerca de R$ 540 bilhões), representando 1,3% da receita das empresas, o maior nível desde 2008.
No entanto, o peso dessa intervenção está na China: suas corporações receberam, em média, de três a oito vezes mais apoio público que as firmas dos países da OCDE entre 2024 e 2025.
A entidade alerta que a estimativa é…
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