Josias Teófilo na Crusoé: Do mar ao céu
No cinema não importam os fatos representados — como no jornalismo —, mas a atmosfera, as brumas, a profundidade psicológica, a carga ancestral
Os símbolos e fenômenos culturais — principalmente aqueles que atravessam o tempo — raramente são arbitrários. Antes, são o resultado de estabelecidas condições psicológicas e sociais.
O Festival de Cannes tem uma vinheta que é exibida antes dos filmes (todos os filmes) e que é invariavelmente aplaudida pelo público que lota as sessões, tal é o seu impacto.
Ela mostra uma escada que começa dentro do mar e sobe até o céu, ao som de Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saens. Essa vinheta é usada desde os anos 1980.
O mar é evidentemente importante para o festival. O Palais des Festivals fica à beira-mar. O tapete vermelho tem como pano de fundo a baía de Cannes.
O festival nasceu ali num contexto bem singular em que o Festival de Veneza, o mais antigo do mundo, havia sido instrumentalizado pelo fascismo de Mussolini.
A primeira edição foi programada para acontecer em 1939, mas foi interrompida pelo início da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha invadiu a Polônia, e só aconteceu em 1949.
O cinema é uma arte nova que traz dentro de si uma carga simbólica antiquíssima.
Ele é contemporâneo da descoberta do planeta Netuno, também descoberto no século 20.
A astrologia contemporânea relacionou o planeta à nova arte.
Netuno, na astrologia, é o regente do cinema e é associado a imagens e ilusões, sonhos e fantasias, inspiração, mundos imaginários.
A astrologia é uma linguagem simbólica que tem os primeiros registros conhecidos na Mesopotâmia, há mais de quatro mil anos.
É mais antiga que o Império Romano e a filosofia grega clássica. Tem símbolos comuns que conectam babilônios, gregos e romanos, e que foram sintetizados em Alexandria.
Não dá para desdenhar de uma tradição assim…
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Comentários (1)
Um prazer ler esse artigo de Josias Teófilo