Leonardo Barreto na Crusoé: O jogo grande mudou para o Brasil
Não existe atualmente no governo Lula uma disposição positiva de negociar com o governo americano
É preciso conter a pressa na análise dos movimentos recentes do governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil e evitar repetir o que a maioria das seções analíticas do noticiário está fazendo: privilegiar o universo narrativo em detrimento do factual e, assim, evidenciar que se dedicam mais a criar a realidade do que a compreendê-la.
Nesse sentido, o ponto de partida é admitir a possibilidade de que alguns processos, mesmo que pareçam associados, são questões distintas e precisam receber — por parte do governo e da sociedade atenta — abordagens separadas.
O ponto de partida disso tudo está em dezembro de 2025, quando a Casa Branca publicou suas diretrizes de segurança para o continente americano, o que foi chamado à época de “Corolário Trump à Doutrina Monroe“.
A mensagem geral era a de que os EUA passaram a considerar eventos regionais como questões que importam à sua segurança interna, permitindo-se tomar decisões sobre outros países sem ter que percorrer a via diplomática.
Olhando em perspectiva, quando o governo de Donald Trump decide classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, pode-se dizer que o país experimenta pela primeira vez o que significa estar na zona de influência americana.
Na questão comercial, o foco de abordagem é econômico e algumas perguntas podem ser feitas: o Pix ameaça empresas americanas ou mostra como o sistema de pagamentos nos EUA é obsoleto e caro?
O Brasil é excessivamente protecionista em relação aos produtos americanos e há espaço para uma agenda de redução de tarifas?
A resposta negativa do Brasil em torno da proposta americana para a exploração de minerais críticos teve influência?
Tudo isso pode gerar uma agenda de negociações.
É importante saber, no entanto, que não existe atualmente no governo brasileiro uma disposição…
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