Após construção de um submarino caseiro, Iberê encara novo desafio construindo um veleiro totalmente artesanal para navegar em águas abertas
O primeiro teste em águas abertas avaliou flutuação, estabilidade, desgaste da madeira, deslizamento do casco e segurança da embarcação.
Construir um veleiro em casa é um daqueles projetos que parece impossível até o momento em que você coloca a embarcação na água pela primeira vez. Iberê Thenório, do Manual do Mundo, está no meio dessa jornada, e o terceiro episódio da saga trouxe um marco importante: o primeiro teste real do barco de madeira em águas abertas, na Raia Olímpica da USP, em São Paulo. Mais de 4 km de remo, um ombro recém-operado e uma lição de física que todo construtor iniciante precisa entender.
Por que todo veleiro caseiro precisa passar pelo teste do remo antes das velas
Antes de qualquer vela ser içada, um veleiro precisa provar que flutua, desliza e responde ao piloto em condições reais. O remo é a forma mais honesta de fazer esse teste: sem motor, sem vento, sem desculpas. Se o barco vazar, deformar ou virar durante a remada, você descobre antes de confiar sua segurança às velas no meio do mar.
No projeto do Manual do Mundo, o remo também cumpre uma função prática permanente. Como o veleiro é de pequeno porte e Iberê ainda não possui habilitação náutica para operar motores, os remos funcionam como o motor de segurança da embarcação, indispensáveis para manobras quando o vento não coopera ou em situações de emergência.

O que a Raia Olímpica da USP tem a ver com a construção de um veleiro
Escolher o local certo para o primeiro teste fora de casa é uma decisão que qualquer construtor naval amador precisa tomar com cuidado. Iberê optou pela Raia Olímpica da USP, um lago artificial de 2.200 metros de comprimento construído na década de 1970 para competições de remo. A água é limpa, sem correnteza e sem embarcações de grande porte, o ambiente ideal para avaliar o comportamento de um barco artesanal sem variáveis imprevisíveis.
O percurso escolhido foi de ida e volta ao longo do lago, totalizando 4.270 metros. Para quem está testando um barco de madeira feito em casa pela primeira vez em águas abertas, esse comprimento é suficiente para identificar qualquer problema estrutural, vazamento ou instabilidade antes que ele se torne um risco real.
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A lição de física que todo remador iniciante ignora e não deveria
Uma das partes mais valiosas desse episódio é a explicação técnica sobre o esforço do remo, algo que a maioria das pessoas aprende da forma errada: na prática, já exausta. O princípio é o seguinte: conforme o barco acelera, a água passa a se mover em relação ao casco em velocidade crescente. Para continuar impulsionando a embarcação, o remador precisa puxar a água mais rápido do que a velocidade atual do barco, um esforço que aumenta proporcionalmente com cada palada. Iberê usou a metáfora de um esquiador que precisa empurrar os bastões com mais força quanto mais rápido está descendo.
Outro ponto que o vídeo deixa claro é a diferença entre remar em um veleiro artesanal e em um barco de competição. Embarcações de remo profissionais possuem um banco deslizante sobre trilho que transfere a força das pernas para o movimento, o grupo muscular mais potente do corpo. No veleiro do Manual, esse recurso não existe, o que significa que todo o esforço recai sobre braços e abdômen durante os 56 minutos de percurso.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Manual do Mundo mostrando Iberê testando seu veleiro caseiro na água.
Como saber se o seu barco caseiro realmente está pronto para o próximo passo
Ao final do teste, Iberê e a equipe avaliaram cada aspecto da embarcação com olhar técnico. Esse tipo de checklist pós-teste é essencial para qualquer projeto de construção naval amadora, porque problemas pequenos ignorados agora se tornam riscos grandes na água. Os critérios observados foram:
- Ausência de vazamentos durante todo o percurso de 4.270 metros
- Qualidade do deslizamento do casco na água, avaliada como excelente para madeira artesanal
- Integridade estrutural do barco sob o peso do remador em movimento
- Comportamento da borda com o remo, onde foi identificado o único ajuste necessário: forrar a madeira para evitar desgaste por atrito
- Estabilidade com mais de um tripulante, testada no final com dois integrantes da equipe a bordo
O veleiro passou no teste e agora falta só o vento para completar a jornada
Todo projeto de construção tem um momento em que você para, olha para o que construiu e percebe que a coisa é real. Para o Manual do Mundo, esse momento foi ao fim dos 56 minutos de remo na Raia Olímpica: o barco não vazou, não rachou, deslizou bem e ainda aguentou dois tripulantes sem reclamar. Iberê chegou ao final do percurso com o ombro operado intacto e o barco tão bom quanto quando entrou na água.
O próximo passo é o que move esse projeto desde o primeiro corte de madeira: testar as velas. Cada etapa concluída, cada nó dado, cada problema resolvido foi um degrau para esse momento. Se você está pensando em construir algo grande e acha que não tem capacidade, acompanhe essa saga do começo. O veleiro do Manual do Mundo é a prova de que a única diferença entre um sonho e um projeto é a disposição de começar.
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