Israel e Líbano criam zonas de segurança contra Hezbollah
Negociações em Washington resultam em entendimento que prevê retirada do grupo armado do sul do país
Após quatro rodadas de negociações mediadas pelos Estados Unidos, Israel e Líbano chegaram a um entendimento nesta quarta-feira, 3, para estabelecer áreas de segurança no território libanês das quais membros do grupo terrorista Hezbollah ficarão impedidos de operar.
O acordo, anunciado em declaração conjunta dos dois governos e de Washington, também condiciona a manutenção do cessar-fogo ao fim dos ataques do grupo e à saída de seus integrantes de todas as regiões ao sul do rio Litani.
Os termos do entendimento
Pelo texto divulgado, o Exército do Líbano deverá assumir o controle das áreas de onde o Hezbollah for retirado, embora os detalhes operacionais das chamadas “zonas-piloto” não tenham sido tornados públicos.
A declaração conjunta afirma que “essas medidas permitirão avanços rumo a um acordo abrangente de paz e segurança” e que “todos os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos”.
O documento também rejeita “qualquer tentativa, por parte de qualquer Estado ou ator não estatal, de manter o futuro do Líbano como refém” — referência direta ao Irã, principal apoiador do Hezbollah, que não integrou as negociações.
Posições opostas e combates simultâneos
Segundo informações divulgadas durante as tratativas, Beirute defende que o cessar-fogo passe a valer em todo o território nacional, enquanto Tel Aviv condiciona o encerramento de suas operações militares, e a retirada das tropas das dezenas de localidades ocupadas, ao desarmamento prévio do Hezbollah.
O conflito teve início em 2 de março de 2026, quando o grupo lançou foguetes contra o norte de Israel em apoio ao Irã, resposta à qual se seguiu uma invasão terrestre israelense pelo sul do Líbano.
De acordo com autoridades libanesas, mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas e ao menos 3,4 mil morreram no país desde então. Israel registra, pelo mesmo período, 24 militares e quatro civis mortos.
Os combates não cessaram durante as negociações. Horas antes do segundo dia de conversações em Washington, um ataque israelense atingiu um veículo em uma rodovia na região de Khaldeh, ao sul de Beirute. Bombardeios também continuaram nas regiões de Tiro e Nabatieh, no sul do país, onde dois ataques noturnos mataram seis pessoas — quatro sírios e dois palestinos.
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