Alckmin se reúne com ministros e Itamaraty para discutir tarifa de 25%
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras
O vice-presidente Geraldo Alckmin se reuniu nesta terça-feira, 2, com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, além de representantes do Itamaraty, para discutir uma resposta à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre importações brasileiras.
O encontro ocorreu no Palácio do Planalto. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
A decisão é respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Os atos e políticas considerados prejudiciais aos EUA estão relacionados ao “comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
“Iniciei esta investigação ao abrigo da Secção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou o embaixador Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, em comunicado.
“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o Governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, acrescentou.
A decisão frustra o governo Lula, que tentava evitar novas tarifas dos EUA.
Senador reagiu
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), reagiu nesta terça à proposta da tarifa de 25%. O parlamentar afirmou que fará “todos os esforços” para defender os interesses brasileiros no caso.
“A proposta apresentada pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 merece atenção e acompanhamento próximo por parte do Brasil. O processo ainda passará por consulta pública, audiência e decisão final. O prazo é curto e o cenário exige realismo, mas faremos todos os esforços para ouvir os setores envolvidos, defender os interesses brasileiros e buscar a redução de impactos sobre áreas estratégicas da nossa economia“, inicia Trad, em nota.
“A medida surge em um momento em que temas relacionados ao comércio, à segurança pública e à cooperação internacional ganharam ainda mais relevância na relação entre Brasil e Estados Unidos”.
O senador relembra que, no ano passado, liderou uma missão do Senado brasileiro aos Estados Unidos para reabrir canais de diálogo entre os parlamentos dos dois países.
“Esses canais permanecem ativos e continuam importantes justamente em momentos como este. É fundamental que produtores, empresas e entidades avaliem os impactos reais da proposta e levem essas informações ao Congresso para que possamos atuar com base em dados concretos”, acrescenta.
Na tarde desta terça, pontua o senador, os membros da Comissão de Relações Exteriores discutirão o tema em reunião que ele presidirá remotamente. “Da mesma forma, a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) já tem prevista uma reunião de trabalho para avaliar os desdobramentos da decisão americana relacionada ao PCC e ao Comando Vermelho“.
Para Trad, “o momento exige serenidade, diálogo e responsabilidade”. “Se as circunstâncias exigirem, continuaremos utilizando todos os instrumentos legítimos de diálogo e diplomacia parlamentar para defender os interesses do Brasil”, conclui.
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