Flávio, Trump e a sinuca de bico em Lula
Lula será obrigado a declarar as quadrilhas criminosas igualmente terroristas ou confrontará os EUA, que lhe renderá o selo de "amigo do crime"
Em que pese a inexpressividade prática do encontro – encontro? – entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump, ocorrido esta semana em Washington, o anúncio feito pela Casa Branca de que as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão agora enquadradas como organizações terroristas pelas leis dos Estados Unidos tem potencial para causar sérios estragos à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No campo da especulação, das hipóteses e das teorias conspiratórias, tudo pode acontecer, mas pouco é possível. Esperar que os EUA desloquem tropas para ocupar comunidades onde as quadrilhas estão sediadas, por exemplo, exige muita capacidade de imaginação. Pessoalmente, no máximo, acredito que os americanos farão pressão comercial, econômica (embargos, bloqueios e confiscos) e diplomática sobre o Brasil. Além disso, claro, torcerão pelo sucesso de Flávio Bolsonaro em outubro, pois, assim como hoje contam com uma aliada na ditadura venezuelana – e tentam emplacar outro, em Cuba – poderão ter, no Brasil, um aliado no comando, ops!, no combate ao crime organizado.
Midiaticamente, contudo, sob a ótica eleitoral, tal anúncio permitirá a Flávio Bolsonaro construir um contraponto potencialmente incômodo para Lula. O bolsokid 01 exibirá sua foto em pé ao lado de Trump, sentado, como se fosse um mordomo do laranjão aloprado, dizendo que ambos combatem o crime organizado e as facções terroristas, notadamente PCC e CV – ainda que isso seja mentira, principalmente por parte de Flávio Bolsonaro, cujo passado (e de sua família) ligado a milicianos fala por si.
Lula, por sua vez, será obrigado a declarar as quadrilhas criminosas igualmente terroristas, algo que nunca fez e a que sempre resistiu, ou confrontará ambos, o que lhe renderá o selo de “amigo do crime”. Numa eleição que promete ser disputada palmo a palmo, escorregões como o de Flávio e sua irmandade financeira com Daniel Vorcaro podem ser decisivos. Nesse sentido, a posição de Lula diante do crime organizado, agora equiparado pelos EUA ao terrorismo, também poderá decidir o pleito de outubro.
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Comentários (1)
Annie
29.05.2026 10:32Não sei não, Nine pode usar esse assunto para dizer que defenderá o país e sua soberania e povo pode acreditar .