A vila nordestina de 18 mil habitantes com ruínas de quase 400 anos que abriga a base de foguetes mais bem localizada do mundo
Ruínas centenárias e foguetes espaciais na mesma vila
Do outro lado da Baía de São Marcos, a 30 km de São Luís, Alcântara guarda dois tempos no mesmo município. De um lado, casarões coloniais sem telhado e ruas de pedra que pararam no século 19. Do outro, uma base espacial que aproveita a posição mais próxima da Linha do Equador entre todas as bases das Américas para impulsionar foguetes.
Por que essa vila é considerada a base de foguetes mais bem posicionada do mundo?
O Centro Espacial de Alcântara (CEA), antes chamado de Centro de Lançamento de Alcântara, opera a 2°18′ de latitude sul. Essa proximidade com a Linha do Equador é o que faz da base um caso raro: a velocidade de rotação da Terra é maior por ali, o que dá um empurrão natural aos foguetes na decolagem.
Segundo análise publicada pela revista ComCiência, da Unicamp, essa vantagem geográfica representa uma economia de cerca de 30% no consumo de combustível em relação a bases instaladas em latitudes maiores. A base é administrada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e integra os programas da Agência Espacial Brasileira (AEB), com inauguração em 1983 e operação contínua desde 1989.

Reconhecimento nacional do conjunto colonial da cidade
Em 22 de dezembro de 1948, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto inteiro de Alcântara como Cidade Monumento Nacional. A área protegida abrange aproximadamente 400 imóveis, segundo o portal oficial do IPHAN.
O órgão destaca que o tombamento se justificou pela existência de um importante conjunto da arquitetura colonial luso-brasileira, consolidado entre os séculos 17 e 19. A cidade foi sede da aristocracia rural agroexportadora de algodão e açúcar, e os filhos dos barões eram enviados para estudar em Coimbra, em Portugal, voltando com referências europeias que moldaram igrejas e palacetes.
Em setembro de 2024, o governo federal e as comunidades quilombolas da região firmaram acordo histórico que destinou mais de 120 mil hectares a famílias quilombolas locais. A medida está registrada na Agência Gov, e reconhece a vila como sede da terceira maior população quilombola do país.

O que fazer em Alcântara e o que comer na vila histórica
O centro histórico é o destino principal. As atrações ficam todas a poucos minutos de caminhada do porto, e a maioria não cobra entrada.
- Ruínas da Igreja Matriz de São Matias: cartão-postal da vila, na Praça da Matriz, com paredes de pedra e cal sem teto. Cenário da novela A Cor do Pecado, da TV Globo.
- Pelourinho: construído em 1648 em pedra de lioz importada de Portugal, considerado um dos mais bem preservados do Brasil.
- Museu Histórico de Alcântara: instalado no antigo casarão do Barão de São Bento, reúne pratarias, mobiliário e azulejos portugueses dos séculos 17 a 19. Entrada gratuita.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: construída entre 1781 e 1803 por africanos escravizados, no bairro Caravela.
- Casa do Divino: sobrado que funciona como museu temático da Festa do Divino Espírito Santo, com mais de 10 salas de acervo.
- Rua da Amargura: antiga rua Bela Vista, onde moravam as famílias mais ricas da vila no século 19.
Quem chega ao porto não escapa do cheiro de coco torrado. A gastronomia local guarda heranças açorianas e quilombolas que só sobrevivem por aqui.
- Doce de espécie: receita exclusiva da cidade, herdada dos açorianos, com massa de farinha de trigo recheada de coco e cravo. Tradicionalmente distribuído na Festa do Divino.
- Peixada maranhense: prato típico do litoral norte do Maranhão, preparado com peixes da Baía de São Marcos, leite de coco e ervas locais.
- Arroz de cuxá: arroz combinado com vinagreira, gergelim, camarão seco e gengibre, marca da cozinha maranhense.
- Sucos regionais: bacuri, murici, cupuaçu e buriti, frutas amazônicas servidas nos restaurantes ao redor do porto.
Quem quer conhecer as construções históricas e as ricas lendas coloniais do nordeste brasileiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 64 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as famosas ruínas, casarões e lendas da cidade de Alcântara, Maranhão:
Quando ir a Alcântara e o que aproveitar em cada estação
O clima equatorial divide o ano em duas temporadas bem marcadas. O segundo semestre é mais seco e o ideal para caminhar pelas ruas de pedra sob o sol. Antes da tabela, vale o resumo:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila colonial saindo de São Luís
A travessia mais usada é pela água. Lanchas e catamarãs partem diariamente do Cais da Praia Grande, no centro histórico de São Luís, e levam entre 50 minutos e 1h30 até o Porto do Jacaré, em Alcântara.
Para quem prefere levar carro, existe o ferry-boat que sai do Terminal da Ponta da Espera com destino ao Porto do Cujupe, administrado pela Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP). Do Cujupe até o centro de Alcântara são cerca de 60 km de estrada por van ou veículo próprio.
Vale a pena conhecer a vila do contraste
Alcântara é o tipo de destino raro onde foguetes decolam ao lado de ruínas de 400 anos. A combinação de patrimônio tombado, gastronomia açoriana e a base espacial mais bem posicionada das Américas não se repete em nenhum outro lugar do país.
Você precisa atravessar a Baía de São Marcos e conhecer Alcântara, a vila onde o Brasil colonial e o Brasil espacial dividem o mesmo endereço.
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