Márcio Coimbra na Crusoé: Diplomacia de coerção
O avanço autocrático sobre a ciência e a saúde universal
Enquanto a dinâmica das relações internacionais contemporâneas foca sua atenção no pragmatismo das negociações multilaterais, os desdobramentos de bastidores revelam os contornos reais das alianças globais.
O tabuleiro asiático ilustra com precisão essa dualidade: ao mesmo tempo em que Pequim calibra sua interlocução com o Ocidente, a diplomacia chinesa adota uma postura diferenciada ao consolidar seus laços com regimes de perfil autocrático.
A recente recepção oficial a Putin em Pequim — acolhido no aeroporto pelo chanceler Wang Yi com tapete vermelho e guarda de honra militar, em contraste com a acolhida conferida a Trump pelo vice-presidente Han Zheng — sinaliza de forma sutil onde residem as afinidades estruturais da China.
Hospedado na tradicional residência de Diaoyutai, o russo celebrou com Xi Jinping, a quem encontrou pela 45ª vez, os 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança, evidenciando um alinhamento político que transcende o mero comércio.
Essa coordenação de interesses entre potências autocráticas reflete-se diretamente nas ações em organismos técnicos internacionais, como vimos esta semana na OMS, com o isolamento de Taipei, promovido por Pequim, com apoio de Moscou.
Mais do que um atrito regionalizado entre as duas margens do Estreito de Taiwan, o isolamento da ilha em agências como a Organização Mundial da Saúde expõe como as alianças político-ideológicas moldam a eficácia da governança global.
Isso ficou exposto esta semana, com a decisão do plenário de rejeitar a inclusão de Taiwan como observador em seu encontro anual, algo que refletiu uma coordenada ação de Pequim, fortalecida pelo posicionamento ativo do Paquistão, país que endossou a tese de que a participação de Taipei violaria a soberania territorial da República Popular da China.
Essa postura de Islamabad expõe uma severa subordinação econômica ao capital chinês, afinal, o Paquistão tornou-se financeiramente dependente dos mais de…
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