China defende Cuba e critica indiciamento de Raúl Castro
Pequim acusa Washington de usar o sistema jurídico como instrumento político e de “ameaçar o uso da força a cada passo”
“(A China) se opõe às pressões exercidas por forças externas contra Cuba, sob qualquer pretexto”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, nesta quinta-feira, 21, em resposta ao indiciamento do ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, pela Justiça americana.
Para Pequim, a decisão de Washington representa uso indevido do aparato legal como ferramenta de pressão política contra a ilha caribenha.
Posição de Pequim
Ao ser questionado por repórteres, Jiakun afirmou que a China “sempre se opôs firmemente às sanções unilaterais ilegais, que carecem de fundamento no direito internacional”, e estendeu essa posição ao caso cubano. O porta-voz foi direto ao pedir que os Estados Unidos parassem de “brandir o bastão das sanções e o bastão judicial contra Cuba” e de “ameaçar o uso da força a cada passo”.
Segundo o Estadão, Jiakun acrescentou que “a China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e dignidade nacionais e se opõe à interferência externa” — declaração que reafirma o alinhamento estratégico entre Pequim e Havana diante da escalada de tensão com Washington.
Os crimes de Castro
As acusações contra Raúl Castro têm origem num episódio de 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões civis foram abatidos por forças militares cubanas. À época, Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa do regime. A Justiça americana o indicia por homicídio de quatro pessoas, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves.
O presidente Donald Trump classificou a medida, anunciada na quarta-feira, 20, como um “momento muito importante”. Ainda assim, o próprio Trump admitiu não vislumbrar ações imediatas e concretas contra Cuba — país que atravessa uma severa crise econômica, agravada pelo bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.
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