EUA deslocam porta-aviões ao Caribe
Movimento naval ocorre horas após acusação formal contra Raúl Castro por mortes em 1996
Depois de indiciar nesta quarta-feira, 20, o ex-ditador cubado Raúl Castro, de 94, por uma série de acusações criminais, o governo dos EUA anunciou o posicionamento do porta-aviões USS Nimitz no mar do Caribe.
As ações simultâneas elevam ao nível mais alto em décadas o confronto entre Washington e Havana, com reações imediatas dos governos cubano e de senadores democratas americanos.
Força naval e reação no Congresso
Segundo informações divulgadas pelo Comando Sul dos EUA, o grupo de ataque do USS Nimitz — composto pelo porta-aviões, um destróier de mísseis guiados e um navio de suprimentos — chegou ao Caribe nesta quarta-feira, 20. A força-tarefa é capaz de transportar mais de 60 aeronaves de combate e dispõe de sistemas avançados de armas e inteligência.
Em paralelo, três senadores democratas apresentaram resolução para impedir o uso das Forças Armadas contra Cuba sem autorização do Congresso. “Trump não tem autoridade legal para invadir ou atacar mais uma nação soberana sem a aprovação do Congresso ou a comprovação de uma ameaça iminente”, afirmou o senador Adam Schiff, da Califórnia, um dos signatários do documento.
O presidente Donald Trump enquadrou as ações como parte de um esforço para ampliar a influência americana na região: “Das praias de Havana às margens do Canal do Panamá, expulsaremos as forças da ilegalidade, do crime e da ingerência estrangeira”.
Acusações e resposta de Cuba
O Departamento de Justiça dos EUA apresentou contra Castro quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave. Os crimes se referem ao abate, em fevereiro de 1996, de dois aviões da organização humanitária Irmãos ao Resgate sobre águas internacionais, episódio que resultou na morte de três cidadãos americanos e um residente permanente nos EUA.
O secretário de Justiça interino, Todd Blanche, afirmou que a Casa Branca espera que Castro compareça ao país “por vontade própria ou de outra forma para ir para a prisão”. O atual ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o indiciamento como “manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal”.
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