Rubio critica OMS por lentidão na resposta ao surto de ebola
Secretário de Estado dos EUA questiona atuação da agência da ONU enquanto Washington tenta coordenar resposta fora da organização
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta terça-feira, 19, que a OMS (Organização Mundial da Saúde) demorou a dar uma resposta adequada ao novo surto de ebola que afeta a África Central.
A OMS classificou o ressurgimento da doença como emergência de saúde pública de alcance global e convocou reunião de urgência sobre a crise — o sem a participação americana, uma vez que os EUA deixaram a agência em janeiro deste ano.
EUA fora da OMS, mas na linha de frente
Segundo O Globo, Rubio afirmou que a contenção do surto ficará a cargo do CDC — o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos — em paralelo à atuação da OMS. “Infelizmente [a OMS] reagiu um pouco tarde”, declarou o secretário.
Washington anunciou na segunda-feira, 18, o reforço de triagens sanitárias em aeroportos para passageiros oriundos das zonas afetadas, além de restrições de entrada a portadores de passaportes estrangeiros que tenham visitado Uganda, a República Democrática do Congo ou o Sudão do Sul nos últimos 21 dias.
Os EUA também informaram a alocação de cerca de 13 milhões de dólares em recursos de assistência e a abertura de aproximadamente 50 clínicas para atendimento de pacientes com ebola na RDC, epicentro da crise. Rubio reconheceu os obstáculos logísticos da operação: “É um pouco difícil chegar lá porque fica numa área rural… e num local de difícil acesso, num país devastado pela guerra”.
OMS rebate e aponta falhas na estratégia americana
A postura dos EUA gerou resposta direta da OMS. De acordo com a fonte, o diretor da agência, Matthew Kavanagh, classificou a contribuição americana até o momento como “decepcionante”. Em declaração à agência AFP, Kavanagh afirmou que “o governo [dos EUA] afirmou que poderia negociar acordos bilaterais e substituir a capacidade da OMS com esforços internos”, e concluiu: “Este surto demonstra claramente que essa é uma estratégia fracassada”.
A tensão entre Washington e a OMS remonta ao início do atual mandato de Donald Trump, quando o presidente iniciou o processo de retirada dos EUA da agência — efetivado em janeiro de 2026 — sob a justificativa de falhas na condução da pandemia de Covid-19.
O surto em curso é causado pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, para a qual não há vacina nem tratamento terapêutico disponível. O ebola vitimou mais de 15 mil pessoas na África ao longo dos últimos 50 anos. O governo americano recomendou que seus cidadãos evitem deslocamentos para as regiões afetadas.
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