Roberto Reis na Crusoé: Não vai desenrolar
Quem renegociar em maio começa a pagar em junho. Quem renegociar em agosto começa a pagar em setembro
O governo federal lançou há alguns dias o “Desenrola Brasil 2” com um objetivo ambicioso: chegar a 42 bilhões de reais em dívidas renegociadas em 90 dias.
Na primeira semana, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa chegou perto de 1 bilhão de reais em débitos renegociados.
Havia cerca de 200 mil pedidos enviados aos bancos, dos quais 100 mil estariam praticamente concluídos.
Parece muito. Mas, dentro da meta oficial, é pouco.
R$ 42 bilhões em 90 dias exigem R$ 467 milhões por dia.
R$ 1 bilhão em sete dias significa algo próximo de R$ 143 milhões por dia.
O programa largou em 31% do ritmo necessário. Mantido esse passo, chegaria ao fim do prazo perto de R$ 13 bilhões.
Só que a tendência é diminuir, visto que lançamentos assim geram mais hype no início devido à intensa propaganda estatal.
A comparação com o primeiro Desenrola também reduz o brilho do anúncio.
A versão de 2023 renegociou R$ 53 bilhões em oito meses e alcançou 15 milhões de pessoas. E, pasmem, pouco mudou o quadro de Lula nas pesquisas.
Agora, a meta é quase do mesmo tamanho, em prazo muito menor, com eleição batendo à porta e famílias mais cansadas e desconfiadas.
Outubro chegará mais rápido do que o governo imagina.
A taxa máxima do novo programa é de 1,99% ao mês. Ou seja, 26,7% ao ano. Mesmo bem mais baixa que o rotativo, ainda assim é dinheiro caro para uma família já esmagada por dívida, comida, combustível, bets e aluguel.
O prazo pode chegar a 48 meses. A primeira parcela pode vencer…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)