Organização criminosa integrada por Vorcaro tem membros ainda não identificados
Apenas parte dos integrantes já foi descoberta pela Polícia Federal; André Mendonça determinou prisões preventivas de sete pessoas
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e de outras seis pessoas se mostra necessária para garantia da ordem pública, garantir a aplicação da lei penal e a conveniência da instrução criminal.
Isso porque, acrescenta o magistrado na decisão, a Polícia Federal (PF) descreve, com apoio em “robustos elementos”, a persistência dos “núcleos criminosos ‘A Turma’ e ‘Os Meninos’, a existência de integrantes ainda não identificados em liberdade, o financiamento contínuo das atividades, a capacidade de destruição de provas digitais e o uso de agentes com expertise tecnológica e acesso a sistemas internos do Estado”.
“Trata-se de circunstâncias que evidenciam risco concreto de reiteração e de embaraço às investigações”.
Além disso, pontua, “coaduna-se a atualidade dos crimes investigados, intrinsecamente condutas permanentes, com a contemporaneidade das razões ensejadoras das medidas de natureza pessoal aqui pleiteadas”.
Em suas palavras, “especificamente no que concerne aos investigados contra os quais se demanda a expedição de ordens de prisão, não se vislumbram outras medidas menos gravosas e ao mesmo tempo capazes de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e o bom andamento da instrução criminal”.
A pedido da PF, o ministro determinou a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, David Alves, Victor Sedlmaier, Rodrigo Campos, Manoel Rodrigues, Anderson Lima e Sebastião Monteiro Júnior.
“A contemporaneidade da medida é revelada na percepção de que, em liberdade, os investigados poderiam utilizar sua rede de influência para encobrir ilícitos, coagir testemunhas com o emprego de violência, ocultar dados e destruir provas, garantindo assim a perpetuação dos crimes e da organização criminosa”, afirma Mendonça.
“Essa perspectiva é exponencialmente agravada pelos robustos indícios da existência de pessoas ainda não identificadas, pertencentes à organização”.
Ele prossegue: “Trata-se de fato que – somado à altíssima capacidade de reorganização da organização criminosa, já demonstrado pela persistência de suas atividades mesmo após a deflagração de sucessivas fases anteriores da operação–, torna além de plausível, efetivamente provável que, se mantidos em liberdade, os investigados sigam cometendo novos ilícitos, a partir da adoção de novas composições”.
O magistrado ressalta que se os investigados permanecerem em liberdade, “há o elevado risco de rearticulação com agentes ainda não identificados”.
“A Turma” e “Os Meninos” de Vorcaro
A Turma e Os Meninos são estruturas vinculadas, em tese, à organização criminosa integrada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No que se refere a A Turma, a PF identificou indícios robustos da participação de Henrique Vorcaro, em posição de relevo como demandante dos serviços ilícitos e operador financeiro dos pagamentos destinados ao grupo; Manoel Mendes Rodrigues, apresentado como “empresário do jogo” no estado do Rio de Janeiro e líder de um braço local do grupo, composto por pessoas ainda não identificadas; Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado; e Anderson Wander da Silva Lima, policial federal em atividade, lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
“A autoridade policial assinala que esse braço operacional se voltava tanto à execução de intimidações presenciais quanto à obtenção ilícita de informações sigilosas e ao acompanhamento de desafetos de Daniel Vorcaro”, acrescenta Mendonça.
Em relação a Os Meninos, a PF afirma que o grupo seria capitaneado por David Henrique Alves, apontado como responsável por arregimentar operadores com perfil hacker, remunerados para execução de monitoramentos ilícitos, ataques digitais, invasões e derrubada de perfis.
“Segundo a representação, também já foram identificados como integrantes desse núcleo Rodrigo Pimenta Franco Avelas Campos e Victor Lima Sedlmaier. Ambos seriam vinculados funcionalmente a David. Além deles, foi identificada a vinculação fática de Katherine Venâncio Telles, diante da sua participação no episódio do deslocamento de David com equipamentos eletrônicos potencialmente relacionados às atividades do grupo”, complementa Mendonça.
De acordo com a PF, A Turma seria voltado à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
Já Os Meninos teria perfil eminentemente tecnológico e seria vocacionado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.
Segundo a PF, ambos os grupos eram, à época dos fatos, gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, e tinham por objetivo atender comandos vindos do núcleo central da organização criminosa.
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