EUA condicionam ajuda a Cuba à mediação da Igreja Católica
Washington anuncia pacote de US$ 100 milhões, mas Havana questiona a legitimidade da oferta
O governo dos Estados Unidos anunciou estar disposto a destinar US$ 100 milhões em assistência humanitária a Cuba, desde que os recursos sejam distribuídos pela Igreja Católica e por organizações independentes, sem repasse direto ao governo da ilha.
A proposta foi formalizada pelo Departamento de Estado em meio a uma disputa de versões entre Washington e Havana sobre se a proposta havia sido ou não comunicada pelos canais diplomáticos competentes.
Pegar ou largar
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, os recursos não seriam transferidos ao governo cubano, mas destinados “diretamente ao povo cubano”, em coordenação com a Igreja Católica e outras entidades humanitárias. Em fevereiro de 2026, Washington já havia enviado US$ 6 milhões à ilha por meio da Cáritas, organização vinculada à Igreja.
A nota oficial americana coloca a decisão nas mãos de Havana: “A decisão cabe ao regime cubano: aceitar nossa oferta de assistência ou negar a ajuda essencial para salvar vidas e, em última instância, prestar contas ao povo cubano por impedir o acesso a essa ajuda crucial”.
Me engana que eu gosto
De acordo com informações divulgadas pelo próprio governo de Cuba, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla negou que a proposta tenha chegado por vias oficiais.
Na semana anterior ao comunicado americano, o secretário de Estado Marco Rubio havia afirmado, durante visita ao Vaticano, que Havana havia recusado o pacote — versão classificada pelo chanceler cubano como “fábula” criada para “enganar o povo de Cuba e os próprios americanos”.
Em publicação na rede social X, Rodríguez Parrilla questionou os termos da suposta oferta: “Seria bom saber quem especificamente aportaria o dinheiro, se seria entregue em espécie para necessidades fundamentais, como combustíveis, alimentos e medicamentos, ou se seria uma entrega material e de quê”.
O governo cubano não se manifestou sobre o comunicado posterior do Departamento de Estado.
Pressão aumenta
O bloqueio imposto pelos EUA desde o início deste ano limitou o acesso de Cuba a combustíveis fósseis. A medida gerou apagões em série, reduziu ou suspendeu voos de empresas estrangeiras e obrigou as autoridades locais a adotar medidas de emergência.
Em abril de 2026, a ONU alertou que “as necessidades humanitárias no país continuam bastante agudas e persistentes”, citando também os impactos do furacão Melissa, que atingiu a ilha no ano anterior.
Além do bloqueio, o governo Trump mantém sanções a empresas estatais e lideranças cubanas, e declarou publicamente o objetivo de promover uma mudança de regime na ilha, objetivo das administrações americanas desde os anos 1960.
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