O que parlamentares da oposição esperam de Nunes Marques na presidência do TSE
Pela primeira vez, Corte está sob o comando de um indicado por Jair Bolsonaro; Nunes Marques presidirá o TSE durante as eleições
O ministro Nunes Marques tomou posse na noite de terça-feira, 12, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sucedendo Cármen Lúcia no posto. Ele vai presidir o TSE durante as eleições de 2026. É a primeira vez que um indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o Supremo Tribunal Federal (STF) chega à presidência da Corte Eleitoral, e parlamentares da oposição têm boas expectativas para sua gestão durante o pleito deste ano.
“Precisamos de um presidente do TSE que faça as eleições mais democráticas do país. Fazendo valer a vontade do eleitor. Nada pode ser comparado a 2022. A imparcialidade e a segurança das urnas são o tom da eleição. Nunes Marques será o grande presidente que vai ser o exemplo para o Brasil“, disse o deputado federal Giovani Cherini (PL-RS), presidente do diretório gaúcho do PL, a O Antagonista.
“O ministro Nunes Marques tem um perfil discreto e equilibrado e não costuma partidarizar ou ideologizar suas decisões. Diferentemente de 2022, esta presidência deverá emprestar mais imparcialidade do Judiciário ao pleito“, afirmou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que é pré-candidato ao Senado por Alagoas.
Em 2022, quando ocorreu a última eleição presidencial, que foi vencida pelo presidente Lula (PT), o TSE era presidido pelo ministro Alexandre de Moraes. Não faltaram críticas de bolsonaristas a condução do pleito por Moraes.
O senador Magno Malta (PL-ES), presidente do diretório capixaba do PL, diz acreditar que “muitos brasileiros esperam que, este ano, o TSE atue com a imparcialidade que faltou em 2022”. “Naquele pleito, decisões do ministro Alexandre de Moraes geraram forte sensação de desequilíbrio, especialmente entre eleitores da direita”.
O congressista cita “a concessão de amplo direito de resposta para Lula no horário eleitoral de Bolsonaro, a derrubada de respostas favoráveis a Bolsonaro e sucessivas remoções de conteúdos críticos ao então candidato petista”. “Essas medidas levantaram questionamentos legítimos sobre isonomia no processo eleitoral”.
Para Malta, agora, “o ministro Nunes Marques tem a oportunidade de mostrar ao país um TSE técnico, discreto e verdadeiramente justo, sem viés ideológico, sem protagonismo político e com regras iguais para todos”.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, por sua vez, diz que “a chegada do Nunes Marques à presidência do TSE abre uma lacuna de esperança muito importante. A esperança de que o Brasil tenha eleições livres e transparentes, sem a intromissão de qualquer poder público em benefício de qualquer candidato”.
Para o parlamentar, “isso que é o importante”. “O monitoramento dessas eleições vai estar sendo feito por lupa não só pelos ativistas brasileiros, mas também por organizações internacionais, sobretudo o governo americano, que já enquadrou o atual governo como sendo vinculado a narcotráfico, como sendo vinculado a ditaduras contrárias aos EUA, vinculado também à questão do terrorismo internacional”.
Dessa forma, acrescenta o parlamentar, o governo Donald Trump está preocupado “que esses agentes do atual governo possam agir dentro do sistema eleitoral para favorecer o atual presidente”.
Ele diz que houve interferência americano no pleito de 2022. “Muitos dos candidatos que estão vindo, sobretudo do nosso lado, o Flávio Bolsonaro já se colocou também muito favorável que se houver alguma pressão que os EUA possa fazer, que seja por eleições livres e transparentes”.
O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Se for necessário segundo turno, ocorrerá no dia 25 de outubro. Os brasileiros votarão para escolher presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
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